Evangelismo Internet

O Uso das Mídias Sociais na Evangelização

19:51Maicon Custódio



por Marcus Lemos


Twitter, Orkut, Facebook, blogs, Youtube, Flickr. Se está lendo este post neste blog, as chances de você acessar com certa frequência uma dessas mídias sociais citadas é muito grande, afinal, o blog se inclui no grupo e a integração entre essas ferramentas é muito grande. É muito provável que o último vídeo que assistiu no youtube tenha saído de um link em um blog ou de um perfil no twitter de algum amigo. Muito comum, também, é cultivar as suas amizades também presentes em todas essas mídias, devido à facilidade do contato constante. Isso tudo parece ser novidade, no Brasil popularizado com o surgimento do Orkut em 2004. Mas a grande questão é: as redes sociais sempre existiram.

Escolas, Igrejas, lares, universidades; todos esses eram e ainda são grandes redes sociais que, hoje, simplesmente migraram sua plataforma para o ambiente tecnológico, gerando a coexistência entre o ambiente real e o ambiente digital. Ou seja: ganhamos terreno. Se antes para se relacionar com um amigo era necessário manter diálogos constantes, suportar suas chatices, ir a casa dele(a), escutar suas lamentações, hoje, um simples follow no twitter ou adicionar no Orkut já são suficientes para simbolizar amizade ou um término de relacionamento. Portanto, os laços enfraqueceram (em casos em que o relacionamento acontece só via web), porém, o alcance ficou ilimitado.

E com as mídias sociais, uma nova oportunidade foi dada a cada um de seus usuários: a livre manifestação e publicação de ideias. Neste contexto é que a Igreja e seu corpo têm a capacidade de explorar as “novas” ferramentas a favor da evagelização. Contudo, é necessário lembrar que assim como os cristãos tem oportunidade de se manifestarem, outras crenças podem usar essas ferramentas e a verdade é que, tal qual nós cristãos temos sido tímidos em evangelizar nas ruas, temos sido tímidos em nos manifestar no ambiente online.

Como bom presbiteriano, vamos a alguns pontos:

O uso das redes para conhecer o seu público
As igrejas, como instituição, e seus membros têm nas redes sociais ferramentas que permitem conhecer profundamente determinados tipos de públicos por meio do monitoramento das redes. E isso é muito fácil. Se um jovem da igreja tem amigos no Orkut, Facebook ou Twitter de outras religiões, gostos musicais e opções sexuais, por exemplo, é muito fácil saber o que essas pessoas pensam, do que elas precisam, quais as suas carências, crenças. É possível, então, ter uma abordagem direta a esse sujeito ou grupo. Por que, então, insistimos em distribuir panfletos nas ruas, que nada tem a ver com o público? Já vi (e distribui) panfletos evangelísticos a jovens que mais se pareciam panfletos direcionados a senhoras, dado à complexidade do conteúdo, pouca relevância e pouca atratividade do design. Portanto, as redes sociais permitem conhecer diversos públicos diferentes, que certamente encontrará lá fora.

Não há diferença entre mundo “virtual” e mundo real
É muito comum cairmos na crença comum que internet é um mundo “virtual”. Não é. As minhas manifestações no Orkut, twitter ou onde quer que seja simplesmente refletem a minha personalidade, as minhas características e, obviamente, as minhas crenças. Se sou cristão na rua, sou um cristão na rede, é óbvio. Portanto, as suas manifestações devem ser genuínas, já que se trata de uma rede social e outras pessoas lerão o que escrever. É momento de reafirmar sua fé, suas convicções, mesmo que sejam contra a tendência da moda. Há alguns dias tive uma longa discussão, via Twitter, com uma garota (anônima), porque me posicionei contra a aprovação da Lei da Homofobia (fui quase massacrado por isso). Ela agiu preconceituosamente inicialmente porque, por ser “crente”, achou que eu era mais um intolerante. Porém, foi uma boa oportunidade de falar a ela do verdadeiro posicionamento cristão sobre o amor ao próximo, do porque eu sou contra a lei e que, apesar de sermos contra o homossexualismo, nós, igreja, amamos os homossexuais, apesar de não aceitarmos a insistência no pecado. Ela entendeu e houve até um elogio. Portanto, tive a oportunidade de manifestar a minha crença real, embasada em princípios cristãos, no mundo “virtual”.

É possível mobilizar
Infelizmente, tenho percebido uma certa desunião entre os cristãos nas redes sociais, na grande maioria (é claro que vamos encontrar alguns bons exemplos). Vou usar novamente o caso do homossexualismo. Vez ou outra o assunto homossexualismo está em pauta nos jornais e TV e o assunto reflete nas redes. O interessante é que, apesar de não haver uma unidade de entendimento entre os simpatizantes do movimento homossexual e os próprios, esses conseguem mobilizar milhões a favor de suas causas. Por que nós não podemos fazer o mesmo, já que temos um ponto em comum que é o fato de sermos todos cristãos? As redes sociais são ambiente propício para propagar uma idéia e conseguir o engajamento de vários em um curto prazo de tempo. Está passando da hora de usá-la eficazmente para isso. 

No dia 30 de novembro foi o Dia do Evangélico e, no twitter, foi o segundo tema mais falado em todo o Brasil. Porém, com uma passada rápida pelos comentários, a constatação era simples: era só zombaria aos crentes. Ora, onde estavam os cristãos naquele dia para tentar combater aquela onda? Aparentemente, a maioria se escondeu aos comentários ao invés de manifestar e reafirmar a sua fé. As redes podem ser usadas para a mobilização e para a reversão de um quadro. Como disse anteriormente: Se o mundo “virtual” é um reflexo do mundo real, por que não afirmar que o mundo “virtual” não é um reflexo de “batalhas espirituais” que o seu povo sofre?

Efeito viral
Ao escrever algo com que algumas pessoas se identifiquem e gostem, você terá ali um alto poder viral, já que o compartilhamento de informação é facilitada por meio das mídias sociais. Ou seja, poderá ver o seu conteúdo espalhado em poucos minutos a milhares ou milhões de pessoas.

É possível criar senso crítico e adquirir conhecimento
O acesso à informação por meio das mídias sociais teve um crescimento gigantesco e, não só cresceu o acesso a ela, como aumentou a descentralização da mesma. Portanto, o que antes estava restrito a poucos veículos produzirem informação, hoje temos diversos pastores e membros de igreja que escrevem diversos blogs de qualidade a respeito do cristianismo e sua aplicação no cotidiano. Portanto, há muito conteúdo disponível para que se adquira mais conhecimento, senso crítico e bagagem bíblico-teológicas para futuras discussões e atividades de evangelização.

Na boa? “Jesus te ama” é clichê ignorado na Internet. Se postar isso no Orkut terá um efeito tão poderoso quanto ver sua mensagem ser marcada como spam. As redes sociais são compostas por um público diferente daquele que se informa somente por meios de massa, como TV, jornais impresso e rádio, por serem muito mais críticos. Portanto, qualidade no conteúdo que discute é fundamental.

Alcance
Por fim, alcance. Falar de mídias sociais é muito amplo e jamais se resumirá a um post, porém, os pontos citados são capazes de oferecer uma nova visão de como essa nova mídia pode ser usada em prol do evangelho. Com ela, é possível conhecer aos diferentes perfis de pessoas com quem se convive; diferentes perfis de grupos da sociedade; outras crenças e posições; conhecer mais sobre a visão que os não crentes tem sobre o cristianismo e cristãos; construir uma bagagem crítica de conhecimento; interagir com outros cristãos e não-cristãos; mobilizar em grupos no ambiente digital que podem se reorganizar no mundo físico; reafirmar suas convicções.

Convide amigos não cristãos a lerem um bom post de um bom blog; a participarem de uma comunidade virtual onde há discussões; a assistir um vídeo evangelístico. Por se tratar de uma rede, o interessante é que você possivelmente lidará com pessoas com alguns traços no perfil semelhantes aos seus, sejam amigos de longa data ou que acabou de seguir no Twitter, o que facilitarão você entregar a essa pessoa um conteúdo que seja relevante a ela. Tudo isso pode e deve trabalhar em sinergia com a sua vida evangelística fora do ambiente digital.





Marcus Lemos é cristão protestante, membro da Igreja Presbiteriana do Brasil. É Relações Públicas, Publicitário e Especialista em Marketing, ministra palestras ligadas à área e acumula diversos trabalhos voltados para mídias sociais.

Siga no Twitter: @marcus_lemos




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