Deus Estado

O PAPEL DO CRISTÃO FRENTE AO GOVERNO CIVIL

10:30Maicon Custódio

ESTE TEXTO FOI ORIGINALMENTE POSTADO NO MEU ANTIGO (e extinto) BLOG: Cristianismo Pensante


"Os cristãos devem respeitar o governo civil"




Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.(Rm13.1-2)


O governo civil é um instrumento ordenado por Deus para reger a vida das comunidades. Ele é um dos numerosos meios, incluindo ministros nas igrejas, pais na família e professores na escola. Cada um desses meios tem sua própria esfera de autoridade sob Cristo, que agora rege o Universo em nome de seu Pai, e cada esfera tem de ser delimitada em referência às outras. Em nosso mundo decaído estas estruturas de autoridade são instituições da “graça comum” de Deus (providência bondosa), colocadas como um baluarte contra a anarquia, a lei da selva e a dissolução da sociedade ordenada.
Baseando-se em Romanos 13.1-7 e 1Pedro 2.13-17, a Confissão de Fé de Westminster proclama a esfera do governo civil como segue:


Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis, a ele sujeitos, e para este fim os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores. (...) Os magistrados civis não podem tomar sobre si a administração da Palavra e dos Sacramentos, ou o poder das chaves do Reino do Céu. (XXIII. 1,3).


Como o governo civil existe para o bem-estar de toda a sociedade, Deus lhe dá o poder da espada (isto é, o uso lícito da força para impor leis justas: Rm 13.4). os cristãos devem reconhecer isso como parte da ordem de Deus (Rm 13.1-2), mas as autoridades civis não devem usar esse poder para perseguir os adeptos de qualquer religião particular, ou para defender qualquer forma de mal.

O estado pode apropriadamente cobrar taxas por serviços prestados (Mt 22.15-21; Rm 13.6-7). Porém, se proibir o que Deus requer ou requerer o que Deus proíbe, alguma forma de desobediência civil, com aceitação de suas conseqüências penais (mostrando assim que reconhece a autoridade atribuída por Deus aos governos como tais) torna-se inevitável (At 4.18-31; 5.17-29).

Os cristãos devem instar com os governos a cumprirem seu papel corretamente. Devem orar por eles, obedecer-lhes e zelar por eles (1Tm 2.1-4; 1Pe 2.13-14), recordando-lhes que Deus os ordenou para dirigir, proteger e manter a ordem, mas não para exercer a tirania. Num mundo degradado, em que o poder costumeiramente corrompe, as instituições democráticas que dividem o poder executivo entre muitos e fazem todos seus detentores responsáveis perante o povo, em geral, oferecem a melhor esperança de evitar a tirania e assegurar a justiça para todos.     
  


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J.I. Packer em: Teologia Concisa: O Estado
São Paulo: Cultura Cristã, 2004. (pág. 199 – 200).



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