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E o Latino Gospel? Vai Comprar o CD?

12:59Maicon Custódio




“Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolara bundalelê.” Sábias palavras do mestre Latino com o seu hit que, sem sombra de dúvidas, fez e ainda faz sucesso. Virou desses tipos de músicas “top of mind”: se alguém fala em festa ou fala em apê, já vem logo a batida na mente. Por vezes, até cantadas em voz alta mesmo, sem vergonha do constrangimento que pode causar.
Mas o que me chamou a atenção ao Latino foi uma matéria que saiu na Ego: “Depois de ‘Festa no Apê, Latino planeja carreira no universo gospel”. Minha primeira reação foi pensar “uai, será que ele virou crente?!” Dúvida respondida logo abaixo, no subtítulo da matéria:”Não quero me tornar evangélico, mas sei que posso falar de Deus” e depois emenda a frase que coroa a decisão: “Precisamos ficar de olho no mercado musical e sempre buscar novas inspirações.”
Walter Benjamin
Walter Benjamin é um dos teóricos da escola de Frankfurt que mais me chama a atenção pelo o que afirmava: ao ser reproduzida pela indústria cultural, a arte perde a sua aura. Creio que vivemos em uma era em que essa afirmação não poderia ser mais verdadeira. Ao afirmar que quer cantar músicas que adorem ao Deus, é de esperar que essa pessoa viva o que ela canta, assim como se espera que agluém que cante a liberdade almeja a liberdade ou uma pessoa que cante sobre o amor também o procura. Porém, temos tido simplesmente a arte pela arte vazia e não mais a arte pela sua essência. E não precisamos do Latino dizer que entrará para o ramo de música gospel para notar que isso está acontecendo. Percebe-se claramente uma invasão de produtos “gospeis” no mercado e na mídia, simplesmente porque é um mercado oportuno e de franca ascenção. Porém, ao fazer isso, caimos na tal da indústria cultural, em que a cultura passa a ser regida por indicadores econômicos e mercadológicos. Se ser gospel (tenho gastura dessa palavra) dá dinheiro, vamos vender gospel!
Mas no meio do caminho disso, o próprio evangelho se perde e passa a ser produto, não mais uma mensagem de salvação, definição do que são as boas novas do evangelho. A própria mensagem trazida pela Bíblia perde a sua essência e ser gospel passa a ser uma filosofia de vida, filosofia de consumo, e não mais uma transformação de vida, do qual ela propõe. Ao afirmar que Latino entrará no ramo, empobrecemos mais ainda a visão já deturpada do evangelho pela simples afirmação de que fará isso pela oprtunidade mercadológica. Do ponto de vista comercial, ótimo! Foi esperto. Não faço juizos de valor sobre o cantor, mas sobre aquilo que ele nos apresenta e que nós aceitamos: músicas pobres de letra e que não edificam em nada. Aliás, apenas deturpam valores humanos com a banalização do sexo e vulgarização do ser humano.
Eu não vou cair na ideia simplista de dizer que ele poderá ser usado por Deus para levar as mensagens de boas novas. Prefiro que ele não cante a envergonhar um tema musical que já sofre tantas críticas e dos quais seus verdadeiros artisitas vivem escondidos às tarjadas músicas alternativas independentes. Se Latino vier a se converter e cantar músicas gospeis, respeitarei-o. Mas enquanto fizer isso simplemente pelo mercado e sem a “aura” que representa a essência do que é a música evangélica, vou continuar a criticá-lo. Aliás, ele não precisa ser evangélico para falar de Deus. Se Deus usou até uma mula para falar, que use mais uma.

TEXTO ORIGINAL NO BLOG DO Marcus Lemos

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4 comentários

  1. É, vai ser mais um bubdalelê no mundinho "gospel", que de cristão já tem tão pouco.
    Acho vergonhoso para nós, que professamos a fé cristã, termos permitido que o mercado musical gospel tenha se tornado exatamente isso: um mercado, mais uma forma de vender música.
    Digo que nós permitimos, pois, quem compra quase qualquer coisa que tenha o rótulo "gospel" são os "crentes".
    É claro que há uma grande procura de tais produtos por outras pessoas, contudo, quem tentou popularizar a "cultura gospel" a todo custo foram os evangélicos mesmo. Agora, vemos os frutos da nossa própria falta de cuidado com o que consumimos e consideramos como "gospel" e "santificado".
    Pedradas chegando dauqi a pouco... rs

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  2. E a gente não tem se cansado de bater nessa tecla, neh Kaline... Continuemos fazendo nossa parte!

    Maranata

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  3. É indignante mesmo, não? Vamos ter que ouvir mais um "treco gospel", como se já não tivéssemos o suiciente.
    Mas nesse mundo cão é assim. Uns "Latindo" e outros aplaudindo.

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  4. Sabe a grande e marcante diferença entre Latino e outros tantos cantores "Gospel"?
    É que ele não é crente (e falou que nem pretende ser), ele não é exemplo, ele não padrão, mas uma coisa ele é, ele é sincero quanto aos seus propósitos financeiros...

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