Calvino Série

João Calvino, O Pastor de Almas

15:12Maicon Custódio



Pessoal, depois de uma pequena pausa em nossa série sobre João Calvino voltamos à ativa para que possamos falar sobre um dos importantes aspectos da vida deste homem de Deus. Falarei hoje, de forma bastante objetiva sobre a figura pastoral e a vida devocional do reformador de Genebra. O que fomenta a escrita deste texto é a constante afirmação que ouvimos acerca de Calvino quando alguns dizem ser ele uma mente brilhante, mas que sua espiritualidade e ministério pastoral eram deficientes. Lembre-se que no texto passado esclareci alguns fatos sobre o que houve entre Calvino e Serveto na cidade de Genebra, portanto, estes textos não se tratam de meras defesas, mas de evidenciação de fatos que, muitas vezes, são desconhecidos ou propositalmente negligenciados.

Talvez não haja melhor forma de entendermos quem foi João Calvino como pastor, conselheiro e instrutor de uma igreja do que “ouvindo” um de seus co-pastores. Veja bem o que ele diz:

“(…) os que lhe procuram são recebidos com simpatia, gentileza e sensibilidade. Ele os atende e prontamente lhes responde as perguntas, mesmo as mais sérias delas. Sua sabedoria é demonstrada nas entrevistas particulares tanto quanto nas conversas públicas onde ele conforta os entristecidos e encoraja os abatidos…”

Ler as cartas de Calvino é também algo muito especial neste quesito, pois é impressionante perceber como ele se preocupava com o bem estar das pessoas a quem escrevia, fazendo perguntas, orando, felicitando. Um fato notório deste espírito pastoral e piedoso de Calvino se deu quando o sobrinho de Guillherme Farel havia contraído a peste e ele foi até a casa do rapaz. Conta-se que lá, Calvino foi um pastor que cuidou e consolou em todo tempo, cumprindo até com afazeres domésticos e ainda pagando todas as despezas do funeral do homem.

Calvino recebia pessoalmente a membresia de sua igreja, seus pastores auxiliares, visitantes forasteiros, noivos e noivas para aconselhamento pré-nupcial, pessoas a quem discipulava afim de serem batizadas, autoridades da cidade, além de ministrar o estudo das palavras nos cultos dominicais de Genebra que, pasmem, iniciavam-se às 6h da manhã, sendo às 7h no inverno! Calvino expressava a sua piedade nas suas composições musicais onde demonstrava a grandeza de Deus, ao qual declarava seu amor e devoção. Também em seus comentários onde, em alguns pontos, podemos notar pequenas orações que acompanham os textos de sua exposição.

Calvino sofreu por longos anos com suas enfermidades que não se apartavam dele, com a insegurança de uma Europa que tendia a perseguir protestantes, com hereges e inimigos da fé, com libertinos problemáticos, mas em tudo o que lemos, notamos o espírito de um homem que orava pelos seus inimigos, chorava pelos miseráveis e tinha uma visão missionária fora do comum (mandando inclusive missionários ao Brasil em 1555). Portanto, nada mais injusto do que dizer que Calvino era apenas uma mente brilhante e depreciar sua vida cristã exemplar e o pastoreio diligente do rebanho ao qual Deus o confiou!

Encerro com uma de suas mais lindas orações:

Conceda-nos que possamos suportar todo o ódio e inimizade da humanidade, até termos ganho a última vitória e podermos chegar ao bendito descanso que Teu único Filho tem adquirido para nós, por meio de Seu sangue. Amém!

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FONTES:
WALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma. São Paulo: Cultura Cristã, 2009. (p.141-154)
CASTRO FERREIRA, Wilson. Calvino: Vida, Influência e Teologia. Campinas: LPC, 1990. (p. 168-173)
ARANTES, Fernando Teixeira. Calvino, pastor.
CALVINO, João. A Verdadeira Vida Cristã. São Paulo: Novo Século, 2000.

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