Calvino Genebra

Calvino Mandou Matar! Será?

15:26Maicon Custódio


Olá leitores queridos! Minha vontade nesta nova série de textos abordando um pouco sobre Calvino e as "acusações" que o cercam. Procurarei ser sempre muito breve e objetivo para que você se sinta sempre motivado a ler a sequência do que ainda virá. Se você não leu o primeiro post da série, pode clicar AQUI, se atualizar sobre a temática da série, bem como os textos que ainda virão.

O texto de hoje trata acerca de uma defesa quanto ao episódio que envolve João Calvino e o médico espanhol Miguel Serveto. Muitas pessoas acusam o reformador de ter assassinado ou ordenado o assassinato do médico (inclusive livros didáticos de história de ensino médio e fundamental), porém, narrarei alguns fatos mostrando que tais acusações são fruto de gente desinformada e, muitas vezes, mal intencionada. Observe alguns links de algumas comunidades e blogs que defendem que Calvino matou Serveto AQUI, AQUI e AQUI.

Quando falamos acerca de Serveto, observamos que poucas pessoas dizem que entre suas obras estavam livros que negavam a Trindade como o A Respeito dos Erros da Trindade, por exemplo. Ele chegava a chamá-la de Cerbero ou trapaça do Diabo. Foi pressionado pela Igreja Romana, acabou por escrever um segundo volume renegando o que escrevera e depois disso mudou seu nome para Villeneuve e se escondeu, provavelmente, na Itália. Daí, lá sob este pseudônimo continuou disseminando suas doutrinas heréticas até que foi denunciado e preso. Neste tempo foi condenado à morte em uma fogueira pela Inquisição da Igreja Católica, porém, escapou da prisão (provavelmente ajudado por algum amigo).

É neste ponto da história que Genebra entra, pois quando ele fugiu da prisão foi para Genebra. O que poucos sabem é que, provavelmente, ele foi levado para lá por alguns membros do partido libertino que eram opositores do pastor Calvino. Eles o fizeram por saber que Calvino e Serveto já vinham trocando cartas havia algum tempo e Calvino tentava convencer o médico de seus erros. Calvino chegou a enviar uma cópia das Institutas para Serveto que, por sua vez, a devolveu com uma gama de anotações ridicularizando as doutrinas que Calvino cria. Isso esclarece que Serveto não estava em Genebra por acaso, mas justamente pelo fato de que os libertinos o queriam no lugar de Calvino.

Calvino então denunciou às autoridades que Serveto estava em Genebra, quais eram as suas heresias e que ele era um condenado à fogueira pela Inquisição. O tribunal que o julgou e condenou em Genebra não era eclesiástico, mas secular e tinha muitos dos libertinos em seu júri, mas depois do testemunho chave de Calvino eles mesmos votaram pela pena capital ao herege, sendo que apenas dois deles se opuseram. Neste meio tempo há relatos de que Calvino o visitava na prisão periodicamente e que tentava de todas as formas fazê-lo voltar atrás e retirar as suas palavras, porém, foi em vão.

Quando veio o dia da execução, Calvino não foi, pois havia lutado com os homens do tribunal pedindo que, já que o matariam, pelo menos tentassem fazê-lo de modo menos brutal (Diz-se que ele demorou meia hora para morrer na fogueira). Seus pedidos foram em vão e por isso resolveu não ir à execução. Para encerrar quero pontuar algumas coisas que facilitarão a sua assimilação sobre o que de fato ocorreu:

1. Serveto era um herege condenado pela Inquisição por se levantar contra a Trindade;
2. Serveto foi levado a Genebra de forma premeditada por inimigos de Calvino;
3. Calvino o denunciou, depôs contra ele, tentou amenizar a pena, tentou convencê-lo dos erros, mas era a favor da execução (apesar de discordar da forma);
4. Calvino não tinha palavra final no Tribunal, mas era a testemunha mais relevante, lembre-se que o Tribunal era secular e não eclesiástico;
5. Os homens de Genebra, inclusive Calvino, foram felicitados por várias lideranças cristãs européias da época como tendo feito bons serviços à fé, entre os que os louvavam pelo ocorrido estava Philip Melanchton.
6. Outras cidades pediram extradição do médico, pois desejavam matá-lo por suas próprias mãos, mas Genebra não concedeu.

Finalizando, digo claramente que Calvino consentiu e contribui grandemente para que Serveto fosse morto, mas não foi ele quem o condenou à morte ou matou e dizer isso é muita inocência ou má índole mesmo. É, sem dúvida, uma mancha na biografia do Reformador, mas não é suficiente para apagar o legado por ele deixado. E aos que por vezes me dizem que sigo as doutrinas de um assassino eu sempre digo e repito: “Rejeite o Pentateuco do assassino Moisés, os belos salmos do Rei da Guerra, Davi, ou o livro de Hebreus quando cita o provedor da carnificina, Sansão, como um herói da fé... ou quem sabe, arranque tudo o que Paulo escreveu da sua Bíblia, afinal, ele consentiu na morte de Estêvão. Não me venham com argumentos fajutos e falsa e tendenciosa piedade. Afinal, Deus perdoa... já os homens, não sei bem o que dizer”.

No amor dAquele que sabe que nunca erra e que não tem manchas em sua biografia,

Maicon.

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FONTES:
WALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma. São Paulo: Cultura Cristã, 2009. (p.66-69)
CASTRO FERREIRA, Wilson. Calvino: Vida, Influência e Teologia. Campinas: LPC, 1990. (p. 114-122)


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10 comentários

  1. Muito legal: claro e conciso. Parabéns!

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  2. Ô pastor, que bom ter sua presença aqui! E que bom que gostou do texto. A idéia é sempre esclarecer, sendo o mais imparcial o possível, inclusive assumindo quando se erra.

    Obrigado pelo comentário

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  3. Maravilhoso o texto! Parabéns Maicon! Essa série está excelente! Abraços

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  4. Q bom que gostou Cléber. Tenho tentado seguir seu ótimo conselho! Espero estar conseguindo, hehehe

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  5. Muito pertinente cara. Parabéns pela iniciativa. Acho que a respeito de muitos outros , seria ideal que fosse feito o mesmo. Estamos numa epoca é que a verdadeira informação acontece na desinformaçao. (desconstrução de muito do que o povo crê gratuita e cegamente). Abraço.

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  6. Parabéns pelo post, meu querido! Realmente gostei muito, apesar que acho muito complicado acreditar na veracidade tanto dos textos que afirmam que Calvino foi um grande assassino, quanto dos que defendem que ele consentiu com apenas uma morte. (Tenho uma certa tendência a crer na segunda opção). Se me permite, apesar de ter entendido sua consideração sobre os 'assassinos' da bíblia, não me lembro de , no NT, algum cristão convertido ter praticado tal ato( considerando que Paulo ainda não era convertido). Minhas considerações não discordam, de maneira alguma, com o seu texto (pra falar a verdade, é o que eu acredito tbm), só estou tentando ser o mais 'honesto' possível e menos tendencioso a defender minha idéia por simples conveniência. Muito obrigado pelo esclarecimento. Graça e paz!!! @HEREGE

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  7. Muito interessante!Sempre tive dúvidas sobre esse assunto apesar de ser presbiteriana!Deus abençoe!

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  8. A reforma protestante não é e não era melhor do que a Igreja Católica medieval, os interesses eram apenas de poder e dinheiro, o resto é pura enganação, Miguel Servet estudou a Bíblia nos textos originais, ele sabia o que estava falando. Ele foi assassinado tanto por Calvino quanto por aqueles que não querem saber de um estudo sério das escrituras, por interesse de uma cupula corrupta e cara de pau. Como pode o cristiano ser monoteista tento 3 deuses?

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  9. Alexandre José... Suas acusações são infundadas, como a maioria que ouço. Fica difícil ter uma discussão sadia quando o que vejo não é um interesse pelo crescimento, mas uma cusparada de acusações sem qualquer embasamento concreto. Estou sempre disposto a conversar, mas baseie melhor seus argumentos. Sobre o monoteísmo e a "Trindade", creio que você quis aproveitar a situação para externar uma discordância sobre o assunto que você crê, apesar de não ter nada a ver com o post em questão. A doutrina da Trindade é amplamente crida pela Cristandade, seja ela reformada ou romanista, infelizmente, desde os primeiros séculos houveram alguns que teimaram em negá-la, porém, com dificuldades de comprovar suas teorias de forma aceitável utilizando a Bíblia. Como disse, apresente melhor seus argumentos e vamos dialogar.

    Abração.

    Pr. Maicon

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  10. Você diz que "Calvino consentiu e contribuiu grandemente para que Serveto fosse morto, mas não foi ele quem o condenou à morte e o matou"(sic). Desculpe, meu amigo, sem querer ofendê-lo, isso é quase pueril. Quer dizer que o maçom João Calvino "apenas consentiu e contribuiu grandemente"?! Você nega evidências, você nega fatos históricos e historicamente registrados, você tenta maquiar monstruosidade (a menos que você considere uma "banalidade" alguém ser amarrado a uma estaca e ser queimado vivo em fogo lento). O próprio livro escrito por esse huguenote ("Institutas") contém farto material que explicita a ira esquisita por ele cultivada gratuitamente contra o cristão Miguel Serveto. Maldade não tem época, malignidade não é modismo, impiedade não sofre mutações "evolucionistas" ao longo do tempo ou em função de eras. Amar significa sempre AMAR e odiar significa sempre ODIAR, independentemente do tempo em que se vive. A propósito, transcrevo a seguir uma pequeníssima amostra extraída da versão em inglês do citado livro do maçom Calvino: "It is truly unfortunate that these sound sentiments were not heeded by Calvin himself, when, exactly six years before this definitive edition of 1559 was published, he asked the councils of Geneva to arrest the heretic Michael Servetus, brought charges against him, carried on the debate to prove that his heresy was threatening the Church of Christ, and approved of the verdict to put him to death (although he urged beheading instead of burning at the stake). Calvin even wrote a small book defending the death sentence upon Servetus. Today there is a monument on Champel, the hill upon which Servetus perished in the flames. It was erected on the 350th anniversary of the execution, by followers of Calvin. The inscription reads: As reverent and grateful sons of Calvin, our great Reformer, repudiating his mistake, which was the mistake of his age, and according to the true principles of the Reformation and the Gospel, holding fast to freedom of conscience, we erect this monument of reconciliation on this 27th of October 1903." (Nota de Rodapé, pág. 967)

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Apenas me conservarei no direito de não responder ANÔNIMOS e conseqüentemente deletar seus comentários.

Na paz do Eterno.

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