Diabo Infância

Sobre Mulher Maravilha, Shrek e o Capiroto

19:12Maicon Custódio



Cresci numa época interessante. Assisti aos clássicos da Disney com as belas histórias de príncipes e princesas como a da Branca de Neve e seus 7 amiguinhos. Não perdia um episódio de Jaspion e daqueles típicos seriados japoneses, era fascinado pela Caverna do Dragão e pelo poderoso He-Man. Gastava horas vendo os Smurfs e Johnny Quest. A gente queria balas, chicletes, sorvetes e salgadinhos de milho... Era uma infância normal. Normal porque eu era criança, viva como criança e conheci os bonzinhos e os malvados com suas faces caricatas dos desenhos, mas pelo menos eu tinha estes valores... Tão certo, concreto e absoluto quanto o ar que respiro eu sempre soube o que era bom e o que era mau.

Esta visão de mundo foi construída sobre algumas bases. Meus desenhos preferidos deixavam bem claro que havia heróis e vilões, bem e mal. Sempre aprendi que os vilões eram os caras maus e que prejudicavam as pessoas e que os heróis eram os caras legais. Na igreja aprendi que Jesus era o cara legal, que o Diabo não era uma companhia das mais agradáveis e que sempre fez e faria de tudo para me ver no chão. Minha vida foi pautada sobre estes princípios que parecem simplórios e infantis, mas me influenciaram e formaram meu caráter.

O tempo passou. Hoje tenho 25 anos, mas não perdi meu lado infantil e por isso não perco a chance de assistir desenhos animados ou acompanhar os últimos lançamentos das animações que chegam aos cinemas. Porém, tenho ficado pasmo com o que tenho visto. Ultimamente conhecemos o carismático Shrek, um monstro feio que virou herói e na história do Shrek o príncipe não passa de um boboca, apático e trapalhão. Conhecemos também o Malvado Favorito, um vilão que usa de criancinhas órfãs para alcançar seus objetivos maquiavélicos, mas acaba se redimindo. E há alguns meses conheci uma criatura azul e cabeçuda. Seu nome? Megamente. Ele é o vilão, uma mente brilhante do crime, mas espere! Megamente não é tão mal assim, é uma vítima da sociedade que o cercou. Na história do Megamente, o herói que seria seu grande adversário é pintado como um crápula que desde a infância só fez humilhar o Azulzinho.... pobrezinho! E no final das contas o herói é mostrado como um deprimido apático que foge das responsabilidades enquanto o vilão, Megamente, redimido recebe os louros da vitória.

As crianças que crescem hoje estão se acostumando a viver sem heróis de verdade. Os caras do bem. O mundo delas é regido por malvadinhos fofinhos que fazem o bem por acidente. Acabou o referencial. Não existe bem e mal, nem mau ou bom. Existem vítimas e tapados. Existem vilões com lados bons e heróis fracos e apáticos e até o senso do belo está se perdendo. O herói não é mais o He-man com seus músculos, o Batman com sua inteligência ou a mulher maravilha com seu rosto de anjo... Nos acostumemos à carranca verde do Shrek, à cabeça enorme do Megamente e ao nariz pontiagudo do Malvado Favorito.

Meu maior medo desta relativização dos absolutos bem e mal, legal e não legal, heróis e vilões é que a mente das crianças vai sendo manipulada sutilmente e em breve podemos correr o risco de ter gente achando que o Diabo, Satan, Demônio, Capiroto o Cão sendo taxado como “um cara que não é assim tão ruim”. Daí, aquele que Maicon que cresceu vendo a Mulher Maravilha como heroína, e a Branca de Neve como a lindinha que ele queria namorar um dia verá seus filhos amando o Ogro e quem sabe a geração dos seus netos achando o Capiroto um cara legal, pois não existem mais vilões e heróis, afinal, tudo depende do ponto de vista... é relativo.

Quem me conhece sabe que rejeito teorias de conspiração e essas coisas de mensagens subliminares e por isso apenas digo:

Pode ser que este texto seja fruto de alguma nóia minha, pode ser que não.
Pode ser que eu esteja exagerando na dose, pode ser que não.
Talvez minha mente crítica esteja me pregando uma peça, talvez não...
Afinal, TUDO É RELATIVO, NEH?

Pra não dizer que eu enfiei coisas na sua cabeça ou quis te dizer quem é bom ou mau, apenas te oriento a pensar... E se eu estiver errado, POR FAVOR me corrija.

Nele, que foi, é e sempre será o meu herói,

Maicon.

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10 comentários

  1. Beleuza de texto. Mas acredito que o pior de tudo, é ver como tudo tem sido relativizado nessa questão de ser "bonzinho" ou "malzinho".

    Nossas crianças estão crescendo sem referência nenhuma. O herói é o cara patétito que apanha, apanha, mas no final vence. Epa, porque o herói tem que ser assim?

    Lembro-me de uma situação, em que uma mulher disse que não gostava da história de Jesus, pois achava triste demais, "era muito sofrimento". Enfim, que possamos analisar quem de fato é herói e quem é vilão.

    Ahhh, eu gosto da histório do Sherek, é bonitinha! HAHA

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  2. Paz Irmão Maicon,

    Apesar de eu tbm não ser muito adepto das conspirações gospels e de não tremer com mensagens subliminares, achei bastante interessante seu texto, especialmente pq cumpre o propósito a que se destinar, fazer pensar a respeito.

    Quem sabe não seja essa relativização que fez nossa geração parecer bastante com outro desenho muito engraçado chamado o "pink e cérebro", pois se prestarmos atenção, muitos desta geração também só pensam em conquistar o mundo... mesmo sabendo que o Reino de Jesus não é desta terra.. Jo 18.36

    Ótimo texto, Deus abençoe...

    Ruy Cavalcante (@intervalocristo)

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  3. Fiquei um tempão sem conseguir elaborar algo coeso pra comentar (isso quer dizer que achei o texto muito bom).
    Em nome do respeito, da política da boa vizinhança ou seja lá o que for, gradativamente fomos abrindo mão de conceitos essenciais e quase que perdemos por completo a noção de certo e errado.
    Também não sou adepta a teorias da conspiração (mesmo assim acho que o google - não o facebook - dominará o mundo)mas acredito que as situações do texto refletem perfeitamente a mentalidade contemporânea que relativiza tudo em prol de uma tranquilidade que não teria caso encarasse as próprias atitudes com sinceridade.
    Tenho sim um pouco de medo do mundo que os nossos filhos encontrarão e sei que nesse universo não teremos Mulher Maravilha, Batman ou sequer Megamente para salvar o dia.
    Por outro lado, tenho certeza de um herói que, apesar das circunstâncias se manteve puro e ao terceiro dia venceu o maior inimigo. Esse não pode ser relativizado.

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  4. Muito Bom Maicon. Considero a sua análise correta. O reino do mau não age abruptamente nesse mundo, mas sorrateiramente. Essa relativização é sinal evidente da confusão dos nossos dias e tende a piorar. Também não sou adepto de teorias absurdas de conspirações e mensagens subliminares, mas creio que aquilo que você citou está diante dos olhos de qualquer um que parar e analisar corretamente os fatos. Está na cara e não subliminarmente!

    André Sanchez
    @EsbocandoIdeias

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  5. Adorava qdo minha avó contava das maravilhas do céu qdo eu era criança e ficava imaginando como seria legal. Ela conta até hj com o mesmo entusiasmo. Pedí que os meus filhos ouvíssem um pouco dessa história. Sabe o que aconteceu... foram pro computador Google procurar "as maravilhas do céus". Ou seja, pra que perder tempo em imaginar algo que alguém já imaginou e registrou no Google.

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  6. O bom de ler os comntários de vocês, queridos é que pelo menos tenho mais segurança em dizer o que disse, pois sinceramente tinha medo de que fosse alguma nóia minha.

    Vlw

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  7. Pra mim, esses desenhos existem pelo fato de muitos da nossa geração serem frustrados em suas vidas, porque não encontraram sua princesa/príncipe ou não está vivendo o "Felizes para sempre" e assim criam bizarrices. Mas, mesmo assim sou expectador disso.. rss

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  8. Maicon,
    Faço parte exatamente de mesma geração que você e também acompanhei esse estranho fenômeno nascer. Nossa geração aprendeu a cultuar um terrorista com herói (a saber, Che Guevara) e a culpar a tal “sociedade” por toda a maldade. O famigerado “sistema” se tornou o inimigo invisível dos revolucionários, e não existem mais inimigos diretos e absolutos, e portanto a figura do herói se tornou obsoleta e ofensiva. Em nome do politicamente correto estão relativizando tudo para que ninguém saia ofendido, mas a ofensa maior dessa palhaçada vai em direção da mente dessa geração que está crescendo sem valores, onde tudo é preconceito e tudo depende do ponto de vista.
    Enquanto heróis morrem de overdose a sociedade desfalece aos poucos.
    Então prefiro acreditar que valores não são relativos principalmente quando estes vêem do Herói que morreu na Cruz, um herói que se formos parafrasear (mesmo que desnecessariamente) a famosa frase podemos dizer que morreu por overdose de amor.

    Pelos absolutos e pelos heróis,
    Dan Martins

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  9. Na palavra de Deus diz: devemos fugir da aparência do mau. Os exemplos dados no post me parecem "mau" o suficiente pra fazer com que eu fuja dele. Não é mesmo?

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  10. Cara, certíssimo. Seu texto reflete algumas preocupações que tenho. Me lembrou de um texto que escrevi há algum tempo também, relacionado ao tempo que você escreveu: http://reformando-coram-deo.blogspot.com.br/2011/12/luz-escuro-contos-de-fada-e-monstros.html

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Comente. Debata. Discorde. Elogie. Concorde.
Desfrute deste espaço que é seu, amado leitor.
Apenas me conservarei no direito de não responder ANÔNIMOS e conseqüentemente deletar seus comentários.

Na paz do Eterno.

Pr. Maicon

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