Ateísmo Cosmovisão

Fui Pra Faculdade. Virei Ateu.

12:03Maicon Custódio



Um pequeno texto da Nancy Pearcey para continuar o assunto que introduzi ontem com o texto do Hans Rookmaaker.
Desfrutem!

por Nancy Pearcey

"Perdemos a cultura" e continuamos perdendo nossos filhos. A histó­ria trágica e repetitiva é que os jovens crentes, criados em lares cristãos, vão para a faculdade e abandonam a fé. Por que este padrão é tão comum? Em grande parte, porque eles não foram ensinados a desenvolver uma cosmovisão bíblica. Em vez disso, o cristianismo é restrito a uma área especializada de crença religiosa e devoção pessoal.

Recentemente li um exemplo notável. Em certa escola secundária cristã americana, um professor de teologia colocou-se à frente da sala de aula e, de um lado do quadro-negro, desenhou um coração e, do outro, um cérebro. Os dois desenhos ocupavam partes iguais do quadro. Virando-se para a classe, disse: O coração é o que usamos para a religião, ao passo que fazemos uso do cérebro para a ciência.

Uma história apócrifa? Uma caricatura de anti-intelectualismo cristão? Não, a história foi narrada por uma jovem que naquele dia estava na sala.

Pior, entre uns duzentos alunos, e ela foi a única que contestou. Pelo visto, os demais não acharam nada incomum restringir a religião ao domínio do "coração".

Na função de pais, pastores, professores e líderes cristãos de grupo de mocidade, vemos constantemente os jovens humilhados pela contracorrente de tendências culturais poderosas. Se tudo que lhes dermos for uma reli­gião do "coração", não serão bastante fortes para se oporem à isca de idéias atraentes e perigosas. Os jovens crentes também precisam de uma religião do "cérebro" — educação em cosmovisão e apologética — para equipá-los na análise e crítica de cosmovisões concorrentes que eles encontrarão no mundo afora. Se estiverem prevenidos e armados, os jovens pelo menos terão a chance de lutar quando forem a minoria entre os companheiros de classe ou colegas de trabalho. Educar os jovens a desenvolver uma mente cristã já não é opção; é parte indispensável do equipamento de sobrevi­vência.

 O primeiro passo para formar uma cosmovisão cristã é superar esta divisão severa entre "coração" e "cérebro".Temos de rejeitar a divisão de vida em uma esfera sagrada, limitado a coisas como adoração e moralidade pessoal, em opo­sição a uma esfera secular que inclui ciência, política, economia e o restante do cenário público. Esta dicotomia em nossa mente é a maior barreira para liberar o poder do evangelho por toda a cultura de hoje.

Esse conceito é reforçado por uma divisão muito mais ampla que ra­cha a estrutura da sociedade moderna. Trata-se do que os sociólogos cha­mam de divisão público/particular. "A modernização provoca uma dicotomização moderna da vida social", escreve Peter Berger."A dicotomia está entre as instituições enormes e imensamente poderosas da esfera pú­blica [com isso, ele quer dizer o estado, a educação, as grandes corporações] [...] e a esfera particular [o âmbito da família, igreja e relações pessoais]".

As grandes instituições públicas afirmam que são "científicas" e "livres de valores", o que significa que são relegadas à esfera particular da escolha pessoal. Como explica Berger:"0 indivíduo conta apenas com dispositi­vos próprios na extensa gama de atividades que são cruciais para a forma­ção de uma identidade significativa, desde expressar sua preferência religi­osa a adotar um estilo de vida sexual". Poderíamos esquematizar a dicotomia assim:

As sociedades modernas estão nitidamente divididas:

ESFERA PARTICULAR
Preferências Pessoais
___________________________________________________________

ESFERA PÚBLICA
Conhecimento Científico

Em suma, a esfera particular é levada pelas ondas do relativismo moral. Note a impressionante expressão de Berger:"preferência religiosa". A re­ligião não é considerada uma verdade objetiva à qual nos submetemos, mas trata-se de mera questão de gosto pessoal que escolhemos. Por conta disto, a dicotomia chega a ser denominada divisão fato/valor.

Os valores foram reduzidos a decisões arbitrárias e existenciais:

VALORES
Escolha Individual
___________________________________________________________

FATOS
Ligados a Todos

Como explica Schaeffer, o conceito da verdade está dividido — pro­cesso que ele ilustra com a imagem de um edifício de dois pavimentos. No pavimento de baixo estão a ciência e a razão, consideradas a verdade pública, atinentes a todo o mundo. Em contrapartida, há o pavimento de cima, da experiência não-cognitiva, que é o lócus do significado pessoal. Este é o reino da verdade particular, onde ouvimos as pessoas dizerem: "Isso é verdade para você, mas não é para mim".

A teoria da verdade em dois pavimentos:

PAVIMENTO DE CIMA
Não Racional, Não-cognitivo
___________________________________________________________

PAVIMENTO DE BAIXO
Racional,Verificável

Quando Schaeffer estava escrevendo, o termo pós-modernismo não ti­nha sido cunhado, mas é lógico que era sobre isso que ele falava. Hoje, diríamos que no pavimento de baixo está o modernismo, que ainda afir­ma possuir a verdade universal e objetiva, ao passo que no pavimento de cima está o pós-modernismo.

A verdade em dois pavimentos de hoje:

PÓS-MODERNISMO
Subjetivo, Relativo a Grupos Particulares
___________________________________________________________

MODERNISMO
Objetivo, Universalmente Válido

A razão de ser tão importante que aprendamos a reconhecer esta divi­são é que se trata da arma mais poderosa que deslegitima a perspectiva bíblica no cenário público de hoje. Veja como funciona: Os secularistas são politicamente muito astutos para atacar a religião de modo frontal ou ridicularizá-la como falsa. Então, o que fazem? Eles consignam a religião à esfera do valor, desta forma excluindo-a da esfera do verdadeiro e do falso. Assim, os secularistas podem nos assegurar de que "respeitam" a religião, ao mesmo tempo em que negam haver relevância com a esfera pública.

Como disse Phillip Johnson, a divisão fato/valor "permite que os naturalistas metafísicos apaziguem as pessoas religiosas potencialmente problemáticas, garantindo-lhes que a ciência não descarta a 'crença religiosa' (uma vez que não almeje ser conhecimento)". Em outras palavras, contanto que todos entendam que é apenas questão de sentimentos particulares. A grade de dois pavimentos funciona como guardiã que define o que deve ser levado a sério como conhecimento genuíno e o que pode ser rejeita­do como simples desejo-satisfação.

________________________________
PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. págs: 14-17


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2 comentários

  1. Exatamente!

    Sutilmente jogam argumentos e pensamentos ligados a fé para uma outra esfera, onde dizem que tudo é pessoal, mas não uma verdade universal ou aceitável.

    Tá na hora de entendermos que a fé é coração e mente. A fé abrange todo o indvídeuo e tudo o que ele é e faz.

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  2. Excelente! Todos devem ler isso!

    http://reformados.com.br

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