Avivamento Igreja

Onde está a Igreja?

18:55Maicon Custódio



por Hans Rookmaaker

Onde estavam os cristãos quando o mundo começou a mudar no século XVIII? Quando a orientação interna do mundo começou a se enveredar pelos trilhos humanistas, onde os homens são os mestres e o prazer (por meio do dinheiro) e o poder são os valores máximos? E não existiam poucos cristãos. Alguns chegaram até mesmo a considerar tal período como de grande avivamento.  

O cristianismo convencional tornou-se um tipo de pietismo no qual a ideia de Aliança  –  conforme  pregada no livro de Moisés e por toda a Escritura  -  foi abandonada. O Antigo Testamento  foi, em geral, negligenciado, e o significado da vida cristã foi rebaixado apenas à vida devocional. De forma branda, extensas áreas da realidade humana, como a filosofia, as ciências, as artes, a economia e a política, foram entregues ao 'mundo', já que os cristãos se concentravam principalmente em atividades piedosas. 

Se o sistema do mundo era secularizado,  destituído  de verdadeira espiritualidade, o comportamento dos cristãos também deixou a desejar.  E  por causa do desinteresse para com o mundo criado tal comportamento não era fundamentado na realidade. Parecia, às vezes, uma espiritualidade fantasmagórica, sem corpo. De fato, os cristãos tem sido ativos, porém, de forma otimista eles com frequência  acreditam  que é  suficiente  pregar o evangelho e fazer caridade.  Ao concentrarem-se em salvar almas, eles se esquecem de que Deus é o Deus da Vida e que a Bíblia ensina como as pessoas devem lidar com o mundo e a criação de Deus. O  resultado é que, apesar de muitas pessoas terem se tornado cristãs, o mundo continua totalmente secularizado – um lugar em que a influência cristã é totalmente nula. O impulso de nossa sociedade é determinado pelo mundo e seus valores (ou pela falta deles).

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 ROOKMAAKER, Hans. A Arte Não Precisa de Justificativa. Viçosa-MG: Ultimato, 2010.  (Páginas: 23-24)
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De brinde, vai a música do {palavrantiga} que tem o nome do autor deste texto como título.


PS: Procurem conhecer este autor.

Em Cristo,



Maicon.

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9 comentários

  1. DIEGO CESAR RIBEIRO19 de setembro de 2011 19:32

    A "secularização" do cristianismo é um problema evidente de muito tempo e pouco combatido pelos líderes religiosos, que, muitas vezes (infelizmente), findam por aproveitar-se dessa situação em benefício próprio.
    Faz-se necessário gerar um comportamento crítico na mente de cada indivíduo, a fim de que exerçam a fé racional, livre de vícios morais. Assim, cada cristão torna-se apto a viver efetivamente conforme seu credo hasteado, a saber, de discípulo de Jesus.

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  2. Boa, boa!

    A fé racional conduz ao envolvimento com a sociedade. A fé não é salto no vazio, nem é metafísica. A fé, tem sim, coisas improváveis, mas tem coisas palpáveis, assim como nossa religiosidade não é um mero exercício espiritual, mas um envolvimento completo e perene de um ser que existe e, se existe, é por causa de Deus e no mundo de Deus.

    Abs

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  3. Essa maldita departamentalização da vida tem levando a maioria dos cristãos a serem altamente fervorosos no contexto de igreja e, às vezes, no contexto de sociedade - se isto servir para reforçar sua aparente espiritualidade -, mas completamente mundanos em outros aspectos da vida. O resultado é que temos muitos cristãos que são médicos, políticos, artistas, professores, etc., mas poucos que deixam sua fé permear cada área de suas profissões, tipo: 'trabalho, trabalho, vida cristã à parte'. Infelizmente.

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  4. Caramba Maicon! Excelente! Um soco na boca de um pseudo cristianismo que faz de conta que faz o que tem que fazer.
    Sabe, toda vez que falo sobre esse assunto, sou tomado por um forte sentimento de revolta, por ver a Bíblia sendo negligenciada em suas propostas que abrangem muito mais do que simplesmente "falar de Jesus".
    A Igreja esquece que Jesus não era apenas um homem de palavras, mas de vida, ações e atitudes e que esse conjunto é o que dava coerência às suas palavras.
    Que Deus continue a te abençoar.

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  5. Sobre o que Toninho e Cléber falaram só me resta concordar e reverenciar, rsrs

    Perfeitas as suas palavras e conclusões!

    Abs

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  6. Pior de tudo é descobrir que esse racionalismo e essa departamentalização é consequência direta da Reforma!

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  7. GSTV,

    Discordo. Os reformadores eram extremamente envolvidos com a sociedade de um modo geral, Veja o que Calvino fez em Genebra, por exemplo. O problema vem na segunda e na terceira geração após eles com os pietistas e alguns puritanos mais extremados. Enfim, a culpa não é da Reforma, mas de gente que acabou distorcendo os ensinamentos dos reformadores...

    Abraço

    Maicon.

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  8. Culpa é diferente de consequência… Não culpo os reformadores, mas vejo isso como consequência ruim da reforma.

    Mas os reformadores também tiveram sua parcela de culpa também, a leitura extremamente racional da palavra abriu portas pro pensamento renascentista que teve influência direta no iluminismo. Faz parte, humanos erram, tá dentro dele desde a queda…

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  9. Entendo sua colocação mas acho que há um equívoco quando você diz que os reformadores optaram por "leitura extremamente racional da Palavra".

    Neste texto aqui, por exemplo: (http://www.maiconcustodio.com.br/2011/07/joao-calvino-o-pastor-de-almas.html) eu mostro como Calvino era um homem pastoral, piedoso e que se preocupava com a devocional. Vemos isso em Lutero, Melanchton, Bullinger e Zwinglio.

    Eles fizeram, sim, as pessoas pensarem sobre o que vinha sendo ensinado a elas (mesmo porque elas, até então, não tinha contato com a Escritura), mas daí, dizer que eles fizeram leituras racionais e tirar a piedade que foi preocupação constante destes homens é NO MÍNIMO injusto.

    Forte abraço!

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Na paz do Eterno.

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