Biblia Deus

Guilhotinas, Cruzes e Injeções

18:44Maicon Custódio


Hoje fui abordado por uma moça da igreja na qual sou pastor com a seguinte questão: "Pastor, o que um cristão deve responder quando o assunto é a pena capital? Devemos ser a favor ou contra?". A pergunta dela é muito válida e expressa a dúvida de muita gente de fé pura e genuína que se vê numa "sinuca" sempre que o assunto é este. Vou abordar de forma breve o assunto, mas antes quero pontuar algumas coisas:

  • Vou expressar minha opinião sobre o assunto com base em minha leitura da Escritura.
  • A maioria dos evangélicos tem opinião contrária àquela que colocarei aqui.
  • Minha intenção não é fazer um extenso tratado entre os prós e contras, mas simplesmente dar uma resposta pessoal à esta pergunta.
  • Minha resposta não tem intenção de ser verdade absoluta nem esgotar o assunto, mas servir como ponto de partida àqueles que se interessarem por um estudo mais aprofundado.
  • O texto, como de costume na internet e neste blog, será curto e objetivo, sem longas dissertações sobre os argumentos.
  • Para uma argumentação mais sólida sobre o assunto, indico esta série de artigos de Solano Portela: Clique Aqui

Dito isto, passo à minha argumentação sobre o assunto.

Para início de conversa digo que sou a favor da pena capital. Creio que existe respaldo bíblico para que tal punição seja aplicada em casos específicos. Listo pelo menos três argumentos que me convenceram da validade da pena de morte.

PRIMEIRO, o próprio Deus instituiu tal pena para o seu povo eleito, Israel, quando lhes deu a Lei nos tempos de Moisés, ainda no Antigo Testamento. A Lei mosaica prescrevia a pena de morte para vários atos como: homicídios (Êxodo 21:12), sequestro (Êxodo 21:16), zoofilia (Êxodo 22:19), adultério (Levítico 20:10), homossexualismo (Levítico 20:13), se aplicava ainda contra falsos profetas (Deuteronômio 13:5), prostituição e estupro (Deuteronômio 22:4), e diversos outros crimes que fossem cometidos contra Deus ou o próximo. Lembro ainda que Deus, em alguns casos, aplicou misericórdia, como a Davi, por exemplo, que adulterou e Deus não lhe imputou tal pena.

Muitos poderão argumentar que este se tratava do Antigo Testamento e que era o "tempo da Lei" e que agora vivemos no "tempo da Graça", - esta é uma argumentação típica dos dispensacionalistas - mas o meu segundo ponto vem para mostrar que biblicamente falando a questão ainda era válida no Novo Testamento.

SEGUNDO,   Paulo aos Romanos no capítulo 13, verso 4, diz que as autoridades ou magistrado, traz em suas mãos a espada. Não preciso dar explicações para lhe dizer qual é a função da espada, certo? É instrumento de ataque e que promove a morte. Ou seja, O ESTADO, e somente ele tem o direito de aplicar esta punição. Ainda no Novo Testamento, temos algumas outras menções que merecem ser observadas: 1) Em João 19.11, o próprio Jesus reconhece que Pilatos recebeu do alto poder para tirar-lhe a vida; 2) O mesmo reconhecimento que Paulo dá em Atos 25.11, quando afirma que se houvesse cometido algum crime DIGNO DE MORTE, deveria ser punido e não resistiria; 3) Em Apocalipse 13.10 temos mais um forte argumento da continuidade da validade desta pena quando diz que se alguém mata pela espada, por ela também deve ser morto.

Enfim,  o argumento de Lei X Graça não se aplica neste caso, pois a própria Escritura o refuta.

TERCEIRO e último lugar: A momento apcial (o ápice) da história da redenção é promovido pela pena capital. A cruz era uma forma de punição àqueles que violavam a lei com crimes hediondos, porém, por força da ocasião e propósito do próprio Deus ela se aplica a Cristo que, supostamente, era alguém que havia cometido blasfêmia. Portanto, raciocinando logicamente, creio que Deus JAMAIS utilizaria de um método que ele mesmo rejeitasse para trazer redenção aos seus. O julgamento pode ter sido injusto, tendencioso e mal intencionado, mas, como vimos em João 19.11, até o próprio Jesus reconhecia este poder sobre a vida que o próprio Deus havia dado ao Estado.

Trocando em miúdos, Deus, dentre tantas formas que poderia utilizar para trazer redenção aos seus filhos, utilizou, escolheu, proporcionou a pena capital para que, pela cruz, tivéssemos a vida eterna.

Termino, reafirmando o que disse no início. Esta é uma argumentação pessoal, sem qualquer compromisso ou desejo de expor e debater as opiniões conflitantes, mas de responder àqueles que me indagam sobre minha visão bíblica acerca do assunto. Adiciono também a nota de que esta opinião não me torna insensível ou indiferente, mas reconhece as instituições que Deus levantou, bem como creio que, por se tratarem de instituições humanas elas podem, e vão, cometer erros em algum momento, o que em instante algum macula a santidade do Eterno. 

Sem mais...

Um abraço forte,


Pr. Maicon    

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4 comentários

  1. Daqui a pouco aparece um aqui com "Não matarás"... pelo amor de Deus! Santa ignorância!
    Belo texto, meu amigo... abração... saudades suas...

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  2. Obrigada Pastor. Bela texto. Deus continue te usando!!!!!!
    Abraço
    Gláucia

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  3. Parabéns pelo texto sucinto e rico!
    Não sou favorável à pena capital por não confiar no procedimento de investigação disponível pra gente e temer pela quantidade de inocentes que podem ser injustamente condenados.
    Entretanto, não consigo visualizar qualquer interpretação puramente bíblica que aponte para a proibição de tal pena.
    Algumas vezes, somos tendenciosos a tentar justificar opiniões pessoais fazendo malabarismo com a Escritura colocando palavras na boca de Deus apenas para nos livrar da responsabilidade por uma decisão.
    Resumindo tudo: estou de pleno acordo que a Bíblia autoriza a pena de morte, porém, em razão da falibilidade e corrupção humana largamente manifestada em investigações e julgamentos, pessoalmente opto pela não aplicação de tal instituto.

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  4. Kaline virou sinônimo de coerência e compreensão pra mim.

    Bjão

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Desfrute deste espaço que é seu, amado leitor.
Apenas me conservarei no direito de não responder ANÔNIMOS e conseqüentemente deletar seus comentários.

Na paz do Eterno.

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