Biblia Devocional

Fé na Palavra ou nas Experiências?

12:09Maicon Custódio







Em minhas leituras do evangelho de Mateus algo sempre me chamou a atenção. Pouco antes do sermão da Montanha (capítulo 5), em Mateus 4.23-25, uma narrativa em particular poderia gerar um impressão interessante. No texto, Jesus cura gente de tudo que é lado e com todo o tipo de doença e conclui dizendo que as multidões o seguiam (provavelmente como em João 6.26, depois de presenciar milagres e bênçãos). Entretanto, quando observamos este texto à luz do que se segue fica evidente que o foco de Jesus ia além das curas. As multidões o seguiram e Ele então passa os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus pregando o famoso Sermão da Montanha, mas a conclusão do sermão é absolutamente fantástica.  Em Mateus 7.28-29 a Escritura diz que as pessoas ficaram maravilhadas da doutrina de Jesus e por isso continuaram a seguí-lo. 

Depois de verem curas, exorcismos, libertações e toda a sorte de milagres o povo fica maravilhado (o termo grego original tem uma ideia de chocar, assombrar, maravilhar) com a pregação de Jesus. Isto nada mais é do que uma confirmação prática daquilo que seria dito num futuro próximo pelo apóstolo Paulo em Romanos 10.17 quando afirmou que a fé vem pela pregação da Palavra (lembrando que Cristo é a própria Palavra).

Ok. Dito isto, convido você para algumas reflexões. Primeiro: a fé está na moda. As pessoas buscam com maior constância alguma espécie de experiência religiosa, com o sagrado, com o sobrenatural. Algumas pesquisas afirmam que 85% das pessoas no mundo professam a fé em algum tipo de divindade. Mesmo aqueles que negam tal possibilidade da existência de um Deus pessoal estão sedentos por experiências religiosas. E as buscam nos ídolos (falsos deuses) da pós-modernidade. Estes ídolos tentam elevar-nos a experiências religiosas:
    • A famosa festa de música eletrônica, Sensation, tem como lema o convite para uma experiência religiosa e sobre natural, fora do corpo e da realidade, o contato consigo mesmo e com "a divine energy" (Clique em "Sensation e assista os 4 primeiros minutos do video e ouça o que a narração vai dizer). 

    • O consumismo diz a você: "Compre o que você não precisa, com o dinheiro que você não tem e sinta-se realizado". A experiência de comprar é quase orgástica e dá a sensação de poder.

    • No culto ao corpo e do apelo ao estético, o discurso é parecido: "Você será completo se fizer dietas, cirurgias, tomar remédios e se adequar ao padrão de beleza, frequentar academias X vezes por semana". Note que o discurso não é de saúde, mas de vaidade e de "completude do ser".

A humanidade anda sedenta por experiências de plenitude e satisfação que, no âmago do ser, sempre apontará para a nossa necessidade de nos sentir completos e nos ligar a algo maior que nós, mas isto, só em Deus! Como bem disse C.S. Lewis: "Deus não pode nos dar uma paz e uma felicidade distintas dele mesmo, porque fora dele não se encontram"¹. 

Com base nisso, gostaria de convidá-lo a pensar em algumas questões muito fortes e práticas na Escritura que dizem respeito a este assunto. Por mais que a tradição religiosa atual e a cultura pós-moderna em si, nos conduzam a experiências pessoais, sensoriais e místicas para definirmos quem somos, onde estamos e no que cremos; faço minhas as palavras de Mark Driscoll: Não baseie a sua fé em experiências!

Constatemente vamos nos encontrar e nos surpreender com aquela pessoa que diz: "Eu tenho experiência com Deus!". Ela relata uma visão sobrenatural, um testemunho forte ou um milagre de cair o queixo. E é bem verdade que desde o surgimento do pentecostalismo e neo-pentecostalismo, a igreja cristã tem vivenciado essa fé que se baseia em experiências, mas não passa de uma verdadeira forma de se firmar em cima de areia movediça. Não que as experiências sejam ruins, nem que eu não creia que elas acontecem, pelo contrário, creio que muitas acontecem de verdade e eu mesmo tenho meus próprios testemunhos de experiências fortes com Deus, porém minha crítica aqui é quanto à base, o sustentáculo o alicerce da fé. Precisa ser a Palavra. Ele é que produz fé. Somente ela revela o Cristo que salva.   

Você que lê este texto agora saiba disso: a fé baseada em meras experiências pessoais, de impacto, emocionais ou qualquer outro tipo que não seja embasada na Escritura é uma fé tola e surreal. Não se distingue em nada do Consumismo ou do culto à estética, pois sempre cairá no mesmo vazio e falta de sentido, pois o que a mantém viva no coração não é algo plantado e arraigado pelo Espírito que aplica a palavra, mas as doses cavalares das sensações que, mesmo que formidáveis, acabam em algum momento e o vazio retorna. 

Com esta prática você pode nunca parar em denominação nenhuma, nunca crescer espiritualmente, nunca viver uma fé genuína e prática enquanto não perceber que a Escritura é a Verdade de Deus. A revelação escrita do Cristo personificado em Jesus de Nazaré. Cristãos vazios  são vazios da Palavra, mesmo que afirmem zilhares de experiências. Se fiam em suas experiências, mas isso é pouco, isso emociona, isso produz fé situacional, mas não produz alicerces e bases irremovíveis. 

Basear a fé em experiências é viver decepcionado com Deus, pois se as experiências não vem, o "crente" dirá que Deus o abandonou ou que não faz mais caso dele. A fé nas experiências faz com que lobos vorazes e denominações apóstatas forjem as experiências para que o ópio continue a fazer efeito. Como Nadabe e Abiú (Levítico 10), que na falta de fogo de Deus fizeram sua própria fogueirinha.

Pra encerrar, gostaria de contar da minha oração quando percebi essas coisas. Orei a Deus dizendo a Ele que se quizesse me dar experiências, visões, êxtases, milagres e isso nutrisse a minha fé eu me satisfaria em ver o poder Dele se manifestando diante dos meus olhos, mas que não precisava de nada disso pra crer Nele e amá-Lo como amo, a Bíblia me bastava. Para mim, as experiências tem seu lugar. Elas nutrem nossa fé, nos consolam, reanimam, emocionam, mas elas são parte de uma construção que se iniciou em cima da pedra angular, Jesus Cristo.

Abraço forte,

Pr. Maicon.

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* Adaptado do sermão "Fé Inabalável" pregado em 01/09/2013 na 1ª IP Caratinga-MG.
 1. Cristianismo Puro e Simples. pág. 66.

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4 comentários

  1. Ótima reflexão Rev. Maicon. O assunto tem sido tema de conversas e debates por aqui. Infelizmente nossa geração tem mudado a máxima reformada que afirma ser a Bíblia nossa única regra de fé e prática, colocando a experiência ao lado ou acima da Palavra de Deus. Enquanto isso, vamos procurando acordar o povo com a verdade. Grande abraço.

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  2. É verdade, Toninho. Nossos tempos e a cosmovisão criada por muitos de nossos antecessores (e contemporâneos) tornam o nosso trabalho ainda mais delicado e urgente!

    Forte abraço, meu amigo!

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  3. É para mim uma honra acessar ao seu blog e poder ver e ler o que está a escrever
    reparei que se tem esforçado por nos dar o melhor,
    é um blog que nos convida a ficar mais um pouco e que dá gosto vir aqui mais vezes.
    Posso afirmar que gostei do que vi e li,decerto não deixarei de visitá-lo mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se ainda não segue pode fazê-lo
    agora, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.
    Que a Paz de Jesus esteja no seu coração e no seu lar.

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  4. Obrigado, Antônio, vou visitar seu espaço também!

    Deus o abençoe...

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Na paz do Eterno.

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