Cruz culpa

Quando a Realidade Bate à Porta

10:00Maicon Custódio



Estou lendo dois livros[1] de um médico inglês - que usa um pseudônimo - chamado  Theodore Darlymple. Ele, apesar de profissional da saúde, se notabiliza internacionalmente como um dos bons nomes da direita, com críticas ácidas e inteligentes ao status quo ou ao Zeitgeist. O autor convive com pacientes de renda baixa na Inglaterra e divide com o leitor as suas impressões e experiências. Um dos livros é dividido em vários ensaios muito interessantes. Logo nas primeiras páginas do livro, falando sobre a tal estado de bem estar e do estado babá ele fala de algumas coisas que me chamaram muito a atenção. Uma das coisas interessantes que li foi acerca da exclusão do conceito de infelicidade do vocabulário moderno. Não existem mais pessoas infelizes, apenas pessoas deprimidas - diz ele em tom de crítica.

Darlymple observa que, durante a existência neste mundo, a pessoa faz suas más escolhas, se relaciona mal, vive uma vida desregrada no que tange ao prazer, responsabilidades, moral, planejamento e focada naquilo que pode ter ao invés daquilo que pode ser; se fecha num mundo particular, egoísta, amoral e se torna totalmente infeliz. Porém, é teimosa e mimada demais para assumir a culpa e admitir que está colhendo os frutos de suas más escolhas. Assim, prefere dizer que o problema não ter a ver com estar infeliz, mas doente... Deprimida.

Não estou dizendo que depressão é doença inventada. Não estou dizendo que ela não existe. Já escrevi neste blog acerca da depressão aqui. Eu mesmo lido com a Síndrome do Pânico e sei bem que não se trata de frescura. Mas que boa parte dos deprimidos de hoje em dia são, na verdade, infelizes que não querem lidar com a culpa. Preferem se "auto mimar" e continuar mentindo pra si mesmo que, na pior das hipóteses, a culpa e do mundo ou dos outros. O deprimido moderno vai ao médico e recebe uma prescrição de medicamento; basta tomar e a qualidade de vida será restabelecida. Será? Boa parte das vezes, as drogas farmacêuticas são meras fugas idólatras (buscando satisfação, prazer, socorro e segurança em outra coisa que não Deus). O problema é que admitir que é infeliz e tomar sobre as próprias responsabilidades dói mais, afinal, o remédio é ser adulto o suficiente pra ver as trapalhadas que fez e mudar as atitudes que te levaram ao buraco em que está.

Nesta geração de eternos moleques e patricinhas, exigir que as pessoas sejam responsáveis é quase um ultraje. Os nossos trintões não querem família, só videogame, happy hour e curtição ou, quando na melhor das hipóteses, se casam para serem o motivo de frustração de uma mulher, pois nunca decidem nada, nunca planejam nada, nunca são homens responsáveis pela provisão e cuidado da família. Por outro lado, temos as meninas frustradas emocionalmente porque resolveram viver a "vida livre" do feminismo moderno e se tornaram apenas uma profissional de pouco sucesso com uma coleção de dramas amorosos. Continuam na eterna adolescência da futilidade das roupas extravagantes e sensuais, dos namoricos sem compromisso e da rejeição da ideia cristã-retrógrada-fundamentalista de "ser subordinada a um homem".

É amigos, mas há dias em que a realidade bate à porta e não dá mais para mascarar as coisas, transferir a culpa e fingir que as minhas escolhas e os resultados delas são apenas uma doença tratável com remédio de farmácia. Há dias que os pontapés da vida real na porta da frente da nossa estabilidade são tão fortes que não dá pra se esconder debaixo da cama e fingir que não é com você. Chega um momento em que: ou você assume as responsabilidades e para de tratar como patologia o que é consequência moral e direta das escolhas ou só resta a opção mais brutal de todas: suicídio.

A mulher samaritana de João 4 é uma amostra bíblica de alguém que tinha uma vida bagunçada. Ela estava tentando desviar o foco da sua conversa com Jesus para o local da adoração, o fato de servir água para um homem ou conversar com um judeu. Jesus diz que o problema dela era muito mais profundo, era moral, era o pecado, a culpa e a necessidade de redenção. Ela queria iniciar um assunto de relacionamento com Deus, mas Jesus faz com que ela olhe para dentro de si, para suas más escolhas. Ou ainda o paralítico descido pelos amigos a partir do teto em Marcos 2: qualquer um diria que o problema dele era de saúde, ou seja, as pernas. Jesus, entretanto, trata primeiro do perdão dos pecados, depois das pernas.

Enfim, amigos, não se enganem mais. As situações da vida estão diante de nós a cada dia e eu sei que a coisa não anda fácil pra ninguém, mas é hora de crescer e assumir sua responsabilidade pelo que tem dado de errado. Lembre-se que você está diante de Cristo e que Ele conhece a sua história e não há como usar máscaras ou maquiagens diante dele. Precisamos admitir que nossa infelicidade se deve ao peso da culpa dos nossos erros. Precisamos dizer para nós mesmos que estamos deprimidos, quando na verdade estamos infelizes. E só existe um lugar onde há "plenitude de alegria" (Salmo 16.11) e enquanto não nos prostrarmos ante a ele em contrição e adoração, continuaremos tomando Rivotril para tentar curar coisas que só são curadas pela cruz.

Deus os abençoe,

Pr. Maicon

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1. Os livros são:
A Vida na Sarjeta (Clique no nome do livro para comprar)
Nossa cultura... Ou o Que Restou Dela (Clique no nome do livro para comprar)


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