Cultura Daniel Cardeal

Falta Algo

09:25Maicon Custódio



Em nossos relacionamentos, é possível perceber que todos estão em busca de algo, ainda que esse algo, seja alguém. Quando crianças buscamos as vezes impressionar, na adolescência buscamos um rumo e notas na escola, quando jovens direcionamento para carreira e preocupação da evolução da mesma, afinal de contas, é de onde provém o sustento e o conforto. E “talvez” numa idade mais madura e posterior, um sentido a tudo que se viveu ou que se buscou.

Estamos sempre em busca de algo. Algumas buscas são sempre assunto de nossas conversas e desabafos. E outras buscas estão incontidas dentro de nós mesmos, não sendo objeto de nossas conversas e assuntos. Perceptivas ou não. Contudo, se não conseguimos perceber de formar clara o que buscamos e o que estamos preocupados, é só observar numa leitura bastante rápida, onde gastamos o nosso maior tempo, aonde se concentra os nossos verdadeiros esforços, o que de fato nos incomoda e aperta o coração.

E é engraçado notar, que, quais sejam as conquistas das buscas, teremos em curto tempo, uma nova busca para substituir a buscar anterior. Somos seres humanos, grandes conquistadores insatisfeitos. Se você não passou pela experiência, de ficar insatisfeito com o salário do seu trabalho, mesmo depois de um aumento, esse momento chegará. No que tange a compra de bens materiais é fácil notar o desejo de consumir novos bens, a indústria trabalha sem parar, para você consumir. E não somente pelos bens materiais, mas sim também, por experiências novas que trazem as mesmas promessas do consumo de bens materiais: satisfação da busca.

Aprecio muito o seriado Sense8, que estreou há pouco tempo a primeira temporada, no canal de internet Netflix. Que relata a conexão de comunicação e sentimentos de oito pessoas – daí o nome Sense8 – de diferentes países e respectivamente realidades distintas, que buscam entender os acontecimentos das suas vidas dentro de uma trama. Em especial essa conexão. São histórias de vidas diferentes, marcadas com angustias peculiares de suas vidas e por visão de mundo, que determina a forma de decisão de cada indivíduo. Estão em busca de respostas e rumos.

O livro do evangelho de João, no seu capítulo 4, relata a história de uma mulher que vivia em busca de uma satisfação que achava que possuía. Sua vida era marcada por tentativas mal sucedidas de casamentos e relacionamentos, que pudesse de alguma maneira satisfazer o seu coração com alegria e paz. Numa época, em que estar num quinto divórcio era algo extremamente inaceitável culturalmente e religiosamente falando. Essa mulher era insatisfeita na sua busca.

Até que um dia, ela se confronta com o próprio Jesus Cristo, sem saber inicialmente no seu diálogo, que ele era o filho de Deus. Numa leitura superficial e rápida do texto, pode se dizer que Jesus concedeu salvação a uma mulher perdida e talvez adúltera. Contudo, essa mulher representa todo ser humano, que anda por toda a vida em busca de algo ou alguém para satisfazer a inquietude do seu coração dando significado para si. Alcançando a tão almejada paz e felicidade.

E toda busca e conquista de relacionamentos, carros, cursos, viagens, empregos, novos desafios, experiências sexuais, conhecimentos adquiridos, roupas, maquiagens, desfiles, festas, imóveis, dinheiro, programações de igrejas, formalidades e rituais cumpridos, não entregam a promessa ofertada ou não entregam aquilo que você achou que receberia.

A sede da busca, será extremamente amenizada, quando se entende e aceita, que só existe vida verdadeira, vivenciando de forma ousada e sem restrições alguma, a vida de Cristo. Não há vida verdadeira, sem Cristo, pois, ele é a verdade e a vida. Somente podem vivenciar isso, aqueles que entendem e aceitam que em Deus, há providencia para todas as coisas, logo, todas as coisas não são o alvo da busca. Não vivendo em função do trabalho, da família ou do que dá prazer, mas sim, daquele é a própria vida e por isso só, é o suficiente. E todas as demais coisas, se sustentaram no seu devido lugar tendo a sua respectiva importância: trabalho, família, prazer, etc.

Na vida dos personagens do Sense8, existe um grito de insatisfação e busca, uns tentam se saciar com dinheiro, outros na homoafetividade e sexo, dando lugar a angustia e um certo desespero. Em um dos episódios, é cantada a música “What’s Up (E ai?)” da banda 4 Non Blondes (uma banda de rock alternativo da década de 90), essa música (a qual aprecio muito), possui uma certa marca, um grito incontido por resposta a uma vida de busca e mesmice. Caracterizando de forma excelente o momento vivenciado pelos personagens.

A mulher do livro do evangelho de João, estava tentando ser feliz, não eram apenas cinco maridos ou seis relacionamentos, mas sim seis tentativas de ser feliz, seis tentativas de saciar o que por si próprio não se conseguia saciar. Pois a sede de todo ser humano é por uma água viva chamada Cristo.

“Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscares, de todo o vosso coração. ” 
Jeremias 29:13

A vida é dinâmica e o tempo é implacável, a cultura da nossa sociedade é reflexo disso. Na minha observação superficial e ao mesmo tempo reflexiva da vida, em diversos cenários e contextos, percebo que algo está de errado.



 

  Daniel Cardeal

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2 comentários

  1. O homem e o seu velho desejo de saciar o vazio dentro dele de alguma forma. Hum eu tenho notado que não é somente um desejo secular digamos assim, é algo que vemos de uma forma até bem normal no meio cristão. Um poeta o qual gosto muito dizia o seguinte "Ideologia eu quero uma pra viver" esse era o grito do coração dele. Eu diria "Teologia eu quero uma pra viver...rsrs. Parabéns pelo texto!! =))

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  2. Daniel soube bem fazer o link entre os anseios humanos e a Palavra, O Senhor sempre sabe/soube o que buscamos, nossas angústias, e oferece o que pode nos saciar, mas alguns ainda buscam fora Dele preencher seus buracos, o que sabemos ser uma busca sem sucesso. Parabéns Daniel!

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