Amado Júnior discipulado

#resenha - O Discípulo Radical

14:42Maicon Custódio


John Robert Walmsley Stott (1921-2011) foi um pastor, teólogo e escritor britânico fundador do Institute for Contemporary Christianity. Sttot foi pastor da All Souls Church, em Londres. Foi indicado pela revista Time como uma das cem personalidades mais influentes do mundo. Escreveu inúmeros livros, dentre eles O Discípulo Radical que é material da presente resenha. Nesta obra o autor fala sobre o que é ser um discípulo de Jesus. 

Ser chamado de discípulo tem, provavelmente, um peso maior do que ser chamado apenas de cristão, pois demonstra relacionamento de professor e aluno. Os cristãos dos séculos seguintes, inclusive o nosso, deveriam ser chamados de discípulos de Jesus, desta forma compreenderiam melhor o valor disso. Ao abordar a expressão “discípulo radical” o autor argumenta que o discípulo verdadeiro é aquele que está ligado com o mestre desde a raiz, ou seja, em todas as áreas da vida, não sendo seletivo. E muitos cristãos são seletivos a respeito das áreas da vida que irão se comprometer com Cristo, deixando, por conveniência algumas de fora, e o autor argumenta que “por Jesus ser Senhor, não temos o direito de escolher as áreas nas quais nos submetemos à sua autoridade” (p. 13). Com o intuito de trabalhar este tema, o autor apresenta oito características do discipulado cristão que são geralmente negligenciadas e deveriam ser levadas em consideração.

A primeira característica apresentada pelo autor é o “Inconformismo”. A igreja tem a responsabilidade de anunciar o Evangelho ao mundo, e ao mesmo tempo o dever de não se contaminar com as coisas impuras deste mundo. A tendência dos cristãos tem sido extremista, ou se envolvem no mundo e na cultura, deixando de pregar a Cristo, ou se envolvem tanto que deixam suas características de cristão de lado, se conformando com o presente século. O cristão deve estar inconformado com o mundo, mas sem se distanciar dele. Ser de fato “conforme à imagem do Filho”.

A segunda característica é a “Semelhança com Cristo”. Neste capítulo o autor vem dizer que para que o cristão seja inconformado com o mundo ele deve ser a semelhança com Cristo, pois “Se afirmamos ser cristão, devemos ser como Cristo” (p. 27).

“Maturidade” é a outra característica. Existe um crescimento perceptível na igreja cristã em todo o mundo, porém, um crescimento sem profundidade. Isso devido à superficialidade do discipulado, gerando discípulos imaturos. Segundo o autor “ser maduro é ter um relacionamento maduro com Cristo, no qual o adoramos, confiamos nele, o amamos e lhe obedecemos” (p. 38).

O discípulo que é maduro, automaticamente desenvolve a quarta característica, o “Cuidado com a Criação”. Quando se fala em discípulo radical não se deve pensar apenas em aspectos pessoais e individuais, mas globais, envolvendo nossos deveres para com Deus e nosso próximo. Dentre eles destaca-se o cuidado com o meio ambiente. Deus deu ao homem na criação, o dever de cuidar da natureza. Apesar de se perder a plenitude de tal aspecto com o pecado, no processo de restauração é plausível que seja restaurado.

Outra característica é a “Simplicidade”. Uma vida simples é parte integrante da nova vida iniciada em Cristo. O discípulo radical deve desenvolver uma vida piedosa e se lembrar das inúmeras pessoas que ainda não receberam o evangelho. Adotando uma vida sem extravagância, sendo sal e luz.

“Somos chamados tanto para o discipulado individual quanto para comunhão corporativa [...]. Adoração e trabalho [...], peregrinação e cidadania” (p. 87). “Equilíbrio” é a sexta característica abordada pelo autor. Como cristãos devemos manter um equilíbrio, seguindo Pedro nas ilustrações que ele traz em sua primeira carta, no capítulo 2, versículos de 1 ao 17.

A penúltima característica trazida pelo autor é “Dependência”. Tentar dispensar Deus de sua vida é de fato pecado. Portanto o discípulo radical deve ser dependente de Deus, de sua misericórdia e de sua graça. Aprendemos em Cristo que a dependência de Deus não destitui o cristão de sua dignidade, pois Cristo foi dependente a todo momento enquanto esteve em vida terrena, desde seu nascimento até a cruz.

Por último o autor coloca a característica “Morte”. Em Cristo o discípulo tem vida, mas antes ele precisa passar pela morte. O autor afirma que “vida por meio da morte é um dos mais profundos paradoxos da fé e da vida cristãs” (p. 99). Mesmo a morte inspirando terror para os seres humanos, para os cristãos ela não é horrível.

De forma magistral Stott conclui sua obra convidando o leitor a criar sua própria lista, à luz da Bíblia, de aspectos do discipulado que espera encontrar em todo discípulo radical, inclusive em si mesmo.

A leitura desta obra alegrou meu coração e por vezes me emocionei. Mexeu com algumas feridas íntimas do meu ser e me convidou a rever minhas características de discípulo. Acredito que é uma leitura necessária para todo cristão que deseja seguir os passos do Mestre. Portanto recomendo a leitura com desejos de produzir um despertar do verdadeiro discípulo radical. 

Amado Júnior

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