Daniel Cardeal Deus

Sinais: Deus e a Condução da Nossa Vida

12:41Maicon Custódio



Existe um filme antigo, lançado em setembro de 2002, que julgo ser mal interpretado ou interpretado de forma superficial. Se trata de “Sinais”, escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, tendo Mel Gibson e Joaquin Phoenix no elenco. É uma ficção e suspense, que trata de uma invasão alienígena a terra, sendo essa identificada através de “sinais” ou “símbolos” marcados em colheitas em campos de agricultura do país. Contudo, isso é apenas o pano de fundo.

Mel Gibson interpreta um Pastor Episcopal que não exerce mais o seu ministério, porém, na cidade onde vive, é sempre chamado pelas pessoas por “pastor” (ou padre, conforme tradução). Tendo ele sempre que lembrar a todos que não é mais pastor ou padre. E esse fato se dá, devido a perda da sua esposa, em acidente de carro, que antes de perder por completo a consciência, disse naquele momento algumas palavras que não fizeram a ele, o menor sentido. Em resposta a isso, ele simplesmente nega a fé.

Vivendo então a sua vida com seus 02 filhos pequenos e seu irmão (que o admira muito), assombrado pelo passado desse acidente, segue a vida não aceitando a perda e se esforçando para criar seus filhos.
No momento do ataque dos alienígenas, Graham Hess (interpretado Mel Gibson), tranca toda a sua casa protegendo assim sua família. E escondido e apavorado sem ter o que fazer, resolve simplesmente “jantar”. Fazer uma refeição, num contexto de morte eminente. Em meio a discussão seu filho grita: “Eu te odeio”. A casa é invadida, todos se escondem no porão, por conta das circunstâncias o filho menor esquece a bomba de ar (ele tem asma), na sala da casa e chega a desmaiar. Nisso, Graham olha para cima com ira e expressa: “Eu te odeio”. Ficam até amanhecer, e quando o dia inicia, todos saem receosos para a casa. A TV está ligada anunciando que a terra está segura, a casa está cheia de baldes e jarras de água (pois a filha acreditava que os alienígenas não gostavam de água), e outras desordem.

De repente, quando todos procuravam a bombinha de ar, um alienígena aparece segurando o filho que estava desmaiado, em seus braços, e soltar uma fumaça venenosa pelas mãos atingida a criança.
E de repente, Graham Hess, compreende todas as palavras que sua esposa havia dito antes de falecer. De forma instantânea tudo fez sentido: “Jogue a água nele”, “Peça para Merrill bater bem forte”, entre outras. Os baldes e jarras são derrubados e quebrados afetando assim o alienígena, Merrill com o bastão de baseball bate até matar o alienígena. Graham desesperadamente leva o filho para fora, onde desperta com vida.

No momento em que Graham Hess deveria se proteger mas resolve “comer”, ele está simplesmente vivenciando o pensamento cultural testificado na bíblia: “...comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (I Cor. 15:32). Obrigando seus filhos e seu irmão fazer o mesmo, num surto de pânico e desprezo as suas convicções mostrando assim sua crise de fé por conta do falecimento da sua esposa. Seu filho vendo todo descontrole e opressão do pai grita: Eu te odeio! Contudo, essa exclamação é absorvida pelo Graham Hess que replica no momento em que seu filho desmaia, olhando para cima (ou para Deus, seu pai) e grita: Eu te odeio! É expressado toda a raiva e angustia do fundo coração do pastor que perdeu e não compreendeu e nem aceitou a morte da sua esposa, vivendo distante e brigado com Deus. Ao final ele começa a compreender. A criança não inalou a fumaça com o veneno, pois seu pulmão estava “fechado” devido à dificuldade respiratória, causada no momento do pânico no porão, por ter esquecido a bombinha de ar. As águas armazenadas em jarros ou baldes, colocadas pela sua filha sem muito sentido, foi essencial para a eliminação do alienígena. Todas coisas fizeram sentido, mas só naquele momento naquele dia, no devido tempo pré-determinado.

O filme mostra a crise de fé de um pastor, que pode ser vivenciada por qualquer ser humano em qualquer momento da vida, mediante a uma tragédia. Rupturas bruscas nas nossas vidas podem acontecer a qualquer momento, todos têm ciência ou quase todos. Contudo, são situações que provam nossas convicções e confronta o mais íntimo do nosso eu. A não aceitação da morte da esposa do Graham Hess, levou ao afastamento das suas convicções, de seus pilares de sua própria existência, levando a uma vida, sem vida. Até o momento, que a providencia de Deus interviu em um momento da sua história restaurando sua fé e por consequência, sua vida.

Nem sempre haverá explicações para as tragédias e rupturas da nossa história, não haverá paz e nem vida, se não houver entrega de si naquele que é Soberano e que rege a história da existência com perfeição e com propósito definido. Ainda que se desconheça o propósito.

Que sinais conhecidos e desconhecidos da vida, possam sempre ser condicionados ao querer do Soberano.

é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis...” (Daniel 2:21)

Daniel Cardeal

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4 comentários

  1. Belíssima reflexão. Parabéns Daniel.

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  2. Aquilo que Deus faz (permite) em nossa vida só precisa fazer sentido para Deus. Para nós, o que vale é praticar "o justo viverá pela fé". A confiança no Senhor é manifestada quando "a terra se transtorna e os montes se abalam no seio dos mares". Belo texto, Daniel!

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  3. Meus parabéns pelo texto Daniel. Muito bom!!

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  4. Nem toda morte é uma tragédia. Muito bom mano! Deus te abençoe.

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