Eternidade Família

Só Não Repara a Bagunça

09:45Maicon Custódio

foto/Kelvin Martins


Vou começar a escrever neste blog de maneira que provavelmente me desagradaria em textos de terceiros: relatando experiências pessoais. Se o leitor é dos meus, já está avisado. Mas não desista. Para não enfadá-lo, pretendo ser breve. Aliás, como se tornou penoso, com o advento da internet, ouvir o outro, mas isso é tema para outro texto. Então, senta que lá vem história.

Morei de favor, durante 17 anos, numa casa bem pequena, nos fundos do lote que pertenciam a uns parentes.  Já mais velho, comecei a me incomodar, primeiro com a casa, que era bastante improvisada e depois, com o barulho que os parentes que moravam em volta faziam. Logo fomos para a casa que moramos hoje, na mesma rua, porém maior, um pouco mais confortável e agora pagando aluguel; mas ainda sim, nos fundos de um lote onde tem outra casa. Ao lado existem duas serralherias e quem mora próximo a uma sabe o barulho irritante e persistente que elas fazem.  Achei que iria me acostumar com o ruído, porém, a cada dia que passa ele me perturba mais. Certo dia, acordei as 7:30 da manhã com o dono da tal oficina dando ordens aos berros para seus funcionários e o pior, em frente a janela do meu quarto! Estavam fazendo um trabalho para o dono do lote. Me senti vilipendiado; de alguma forma, quando eu vi pessoas que não fazem parte do meu núcleo familiar quase invadindo minha casa, primeiro me enchi de ira, depois tive uma sensação de perda de potência terrível. Isso acabou com meu dia.

Contei tudo isto porque me fez refletir sobre a importância do lar, e quero que o leitor reflita também. Quando nossa casa é de alguma maneira dessacralizada, e quando digo dessacralizada quero mesmo dizer que ela tem algo de santo, nos sentimos menos "senhores de nós mesmos". Vi no noticiário esta semana a casa de um casal que foi assaltada, os ladrões foram vistos pela câmera de segurança passeando tranquilamente no quarto do casal, talvez o lugar da casa mais intimo e seguro para os dois.

A casa é o porto seguro, onde voltamos após um dia de trabalho árduo ou depois de um encontro agradável com os amigos; é no teto do quarto que você imagina como será a entrevista de emprego ou encontro com a pessoa desejada no próximo dia. Se as camas falassem, elas teriam que ser protegidas por lei a não dar testemunho. É na cozinha onde os laços se estreitam, a comida da vovó é feita em casa, e é na sala - que te conforta ou que sua irmã mais nova te aborrece. Ou seja, tudo aquilo que somos, nossa identidade e pertencimento é expresso em sua totalidade no lar. E se não fosse o lar, onde seria?

Jesus ordena seus discípulos que ao saírem pelo mundo a pregar o evangelho, que fossem sem nenhum tipo bolsa com bens
, mas que confiassem na hospitalidade das pessoas as quais cederiam a suas casas e seus bens para descanso e sustento dos apóstolos. Jesus é categórico ao dizer,"Não andeis de casa em casa" (Lucas 10:4). O lar, ponto fixo, lugar de retorno, é de tão grande monta para Jesus que Ele acrescenta: "E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa." (Lucas 10:5). Até mesmo Abraão, que teve que deixar sua parentela tinha um lugar destino, lugar que Deus mostraria. A parábola do filho pródigo diz que o filho, após sair pelo mundo, não se contentou em estar longe dos seus, se sentiu vazio e perdido; aquele mundo, que pode ter sido visto como tão bonito pela janela da casa se tornou horrendo para o jovem. Então ele percebe que ali era o melhor lugar do mundo, e que, se o pai o aceitasse de volta, seria melhor até mesmo ser tratado como servo, do que estar longe dali. O final nós já conhecemos.  Esta parábola figura o pai como sendo Deus que recebe seu filho, o pecador arrependido, como se nunca tivesse pecado. 
Isto posto, creio que o lar é uma benção que Deus, em sua grandiosa misericórdia nos deu, para saborearmos aqui, aquilo que desfrutaremos em sua totalidade na eternidade; já que Cristo disse: "Na casa de meu Pai há muitas moradas" (João 14:2). Quando Cristo disse isto, Ele estava reconfortando os seus discípulos que estavam com corações turbados (João 14:1), ou seja, escuros, opacos, transtornados, perturbados. O lar portanto, é um lugar de paz. O Salmo 84 vai falar da presença de Deus como amável, desejosa; Deus provém o pardal e a andorinha com suas casas, e a nossa casa maior são os átrios do Senhor (Salmos 84:3). Desta forma, o Trio Parada Dura acertou em cheio:
As andorinhas voltaram
E eu também voltei;
Pousar no velho ninho
Que um dia aqui deixei.
Nós somos andorinhas
Que vão e quem vem,
À procura de amor.
Ás vezes volta cansada
Ferida, machucada,
Mas volta pra casa
Batendo suas asas
Com grande dor
Igual a andorinha
Eu parti sonhando
Mas foi tudo em vão
Voltei sem felicidade
Porque, na verdade
Uma andorinha
Voando sozinha
Não faz verão


Acredito ser o mundo hodierno aquele onde tem se tentado as maiores investidas para a desestruturação daquilo que há séculos, conhecemos como família. Alguns discursos, tão bonitos, que dizem prezar pela liberdade, me parecem no fundo, atacar o lar, o último reduto de autoridade, privacidade e individualidade. O discurso criptocomunista tem por objetivo atingir tudo o que caracteriza como elite, e nesse caso, a elite não seria somente os ricos e donos de grandes propriedades, mas todo e qualquer que se destaque da massa comum. O livro Maquiavel Pedagogo de Pascal Bernadin cita trechos completos de discursos de órgãos como a UNESCO e mostra que o objetivo final de uma chamada Revolução Pedagógica é instituir uma Nova Moral que será ditada pelo estado, através das escolas, com a chancela da Ciência, ao invés daqueles retrógrados e preconceituosos conceitos familiares, baseados na antiga forma de pensamento obscurantista da religião. Outro livro interessante, Da Alegria no leste europeu e na Europa ocidental e outros ensaios de Andrei Plesu, diz que na Romênia da antiga URSS era dada a seguinte ordem pelos oficiais: "Tem de ser comprometida a religião, politizada a família, reestruturada a escola."
           
Somos estrangeiros aqui, como já foi dito, nossa morada maior é nos átrios do Pai, "a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo..."(
Filipenses 3:20). Muitos usam um tom bastante beligerante para defender nossa tenda terrestre, não sei se a briga de foice é a melhor opção para defender algo que é só de improviso; entendo ser a melhor maneira de agir como diz o livro do Profeta Isaias: "E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre." (Isaías 32:17).  Andemos, portanto, em justiça até que venha o lar que antes da fundação do mundo Deus tem nos preparado.


"E o meu povo habitará em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em lugares quietos de descanso." (Isaías 32:17,18)

Kelvin Martins.

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