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O Que Queres Que Eu Te Faça

10:30Maicon Custódio



São Paulo é uma cidade extremamente frenética e distinta de todas as demais capitais brasileiras. Com pessoas oriundas dos mais variados lugares, do Brasil e do mundo. Pessoas com suas respectivas histórias, lutas, anseios e angustias, transitando constantemente entre si, sem se falarem ou conhecerem. Sem intercâmbios de histórias ou de vidas. Não há espaço em nós para isso.

Na minha limitada e superficial observação, me atento às vezes, as afeições e olhares das pessoas que me cercam, em especial no meu momento de lazer, quando passeio pelo centro da cidade. E como criança, me ponho a pensar e indagar: qual é a sua história e seus anseios? Se fosse possível obter respostas, as mais variáveis, seriam. Esse meu, “certo interesse”, se deu, após ouvir um relato de um pastor que estava caminhando pela Praça da Sé, quando alguém agarrou repentinamente seu braço e disse: Me escuta! E desabafou sua angustia. Talvez pareça estranho esse fato e a pessoa, mas denota a distância que temos um dos outros. Uma sociedade que sofre calada.

Existe um relato que mexe com o meu ser de forma singular. Está registrado num livro da Bíblia chamado Marcos (um dos discípulos de Jesus), que relata um outro fato estranho. Jesus está com seus discípulos, caminhando na cidade de Jericó, e num certo momento, um cego que se chamava Bartimeu e também era mendigo, percebe que Jesus estava se aproximando e grita desesperadamente: Jesus filho de Davi, tem compaixão de mim! E muitos que estavam próximo a Jesus diziam para ele se calar e não incomodar, mas, Jesus resolve contrariar os que repreendiam e vai até o cego mendigo e pergunta: O que queres, que eu te faça?

Não é uma simples pergunta, e também não é qualquer um que faz essa pergunta. No primeiro livro da Bíblia (Gênesis), é narrado a criação de todas as coisas, pelo poder da palavra dita da boca de Deus. O universos, nuvens, lagos, mares e oceanos, imensidão de terras, desertos, florestas e pântanos, constelações, planetas e mais planetas, animais, humanidade e toda a sua complexidade, foram criadas e subsistem, pelo simples “dizer”, de Deus.

E esse Deus, soberano e poderoso, é o próprio Cristo, que na sua forma humana, olha para um homem pedinte que vive a mercê de esmolas para sobreviver, excluído da sociedade e da capacidade de contemplar o que você contempla com os seus olhos (tudo), e pergunta: O que queres, que eu te faça?

A voz de Cristo, o seu questionamento, atravessam os ares, penetrando não apenas no ouvido humano, mas também ecoando por todo o intelecto e suas emoções, chegando no íntimo do centro do ser de Bartimeu (que nem ele mesmo sabe identificar), como se dizendo: Bartimeu, o que é que angustia a sua existência, a sua vida? O que é que aterroriza e te impede de viver, o que é que te aflige Bartimeu?

Não é uma pergunta qualquer.
E se o próprio Deus, criador e sustentador de todas as coisas, te perguntasse: O que queres, que eu te faça? O que angustia a sua vida, meu amigo?

As pessoas da minha cidade frenética, não são livres de angustias ou ansiedades (ainda que nos seus perfis de Facebook demonstrem serem pessoas alegres e felizes). Todos têm. Mas como compartilhar o que nos aflige e mostrando assim a fragilidade da nossa existência? Expectativa de um emprego melhor ou alcançar um, a cura de uma doença ou notícia da mesma, a sensação de insatisfação, medos e inseguranças, casamentos frustrados, solidão.

Bartimeu entende e sente a pergunta que Cristo faz, e responde de forma sincera e clara: “Mestre, que eu torne a ver”. Em outras palavras: o que angustia a minha existência meu Mestre, é que eu não posso mais ver o sol, não vejo mais as pessoas, não contemplo o belo das suas mãos, eu não vivo!

No lugar de Bartimeu, quem não pediria isso?
O versículo 51 do capítulo 10 do livro de Marcos, relata que Jesus responde da seguinte maneira: “Vai, a tua fé, te salvou. E imediatamente, tornou a ver...”

Bartimeu pede para enxergar, ser curado, voltar a ver, e Jesus o “salva”. Traz, a ele a cura da sua angustia mais profunda que nem ele mesmo conhece. Gera em Bartimeu uma satisfação que, a cura da cegueira, não o daria. Provavelmente, a primeira coisa que ele vê, ao tornar a enxergar, é o próprio Cristo. Aquele que não somente cura a cegueira dos olhos, mas também a cegueira do coração.


“Vai, a tua fé, te salvou. E imediatamente tornou a ver e segui a Jesus estrada a fora”.
Daniel Cardeal

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