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#Reforma498: Ainda Há Muito o Que Fazer

15:59Maicon Custódio



ERA UMA VEZ...

O dia 31 de outubro, antes de ser o Dia das Bruxas ou Dia da Dona de Casa é celebrado como o Dia da Reforma Protestante. Cristãos das mais variadas denominações mundo afora celebram e relembram a era que alvoreceu há quase 500 anos na Alemanha. A história nos conta sobre o monge alemão Martinho Lutero e sua saga em defesa de uma revisão bíblica do Cristianismo à sua época, a saber, 1517. Pela providência de Deus, tal revisão não se limitou à época dele, mas veio a nós também.

Lutero, jovem de família humilde, começou sua vida de estudos na área do Direito e, depois de formado e prestes a iniciar o exercício da profissão, teve um enorme desejo de encontrar a salvação, pois não se achava em paz. De maneira abrupta foi para o monastério. Lá, se destacava pelo zelo nos estudos, vida piedosa e a autoflagelação. Lutero tinha um pesar ardente por seus pecados e chegava a procurar seus superiores para confessar as coisas mais banais.

Foi enviado a Wittenberg para ser professor na universidade da cidade e lá se torna doutor. É neste momento, lendo as Escrituras, que a paz da salvação lhe invade o coração. Lendo a epístola aos Romanos lhe saltam aos olhos as palavras o primeiro capítulo: “o justo viverá por fé”. Após aprofundar seus estudos sobre a graça do Deus de misericórdia da Bíblia e presenciar a venda de indulgências em Wittenberg algo acontece.

Martinho Lutero, jovem de 34 anos, prega 95 teses contra as indulgências às portas do templo da cidade. Em pouco tempo as teses tomam o país a ponto de o próprio Papa convoca-lo a Roma, porém o “governador local” (chamado comumente de Eleitor) de nome Federico, disse que, se alguém quisesse falar com Lutero que viesse a Wittenberg. Então, Roma envia emissários.

É diante de um destes emissários que ele diz: “A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém.

Fruto deste período da história é o resgate das doutrinas bíblicas que foram didaticamente organizadas como os “Cinco Solas”. Estes pilares são bíblicos e atemporais por esta razão. Não importa se falamos da Igreja Primitiva, do século XVI ou de 2015. Só a graça continua sendo a única explicação para Deus nos resgatar; a fé, indubitavelmente é a ação do Espírito Santo em nossos corações e o único meio de apreensão da salvação; Cristo eternamente é o único e suficiente mediador que temos; a Escritura não deixará jamais de ser a nossa fonte de verdade e autoridade e, por fim, nossa existência sempre se resumirá e culminará na glória de Deus.

Sabemos que a Reforma não se resumiu ao fatídico 31 de outubro de 1517, nem mesmo à Alemanha. A história narra sobre Zwínglio (SUÍÇA), Calvino (GENEBRA), Knox (ESCÓCIA) e até mesmo o Brasil (em 1557) foram alcançados pela Reforma do século XVI. Uma de nossas grandes marcas precisa ser a de amarmos, preservarmos e escrevermos nossa história. Sei que nós amamos. Sei que preservamos. Agora quero falar sobre escrevermos nosso capítulo na história da Reforma Protestante.

ASSUMINDO O PROTAGONISMO

Este subtítulo não é uma afirmação soberba. Não creio que sejamos os protagonistas de nossa própria história; nem da história da igreja; e menos ainda da história da salvação. Somos apenas os vasos de barro que transportam o real tesouro. O subtítulo tem a ver com o momento crucial em que vivemos. Não sei se você sabe, mas Lutero morreu em 1546 e Calvino em 1564.

Eles foram pessoas preciosas usadas por Deus num momento específico da história. Homens fracos e pecadores, mas feitos robustos pelo poder da graça de Cristo. Protagonismo, portanto, é assumir o seu papel no seu momento da história. Agora não é a Reforma de Lutero, Zwínglio ou Calvino, mas a sua.

Como eu disse, os pilares bíblicos da Reforma são imutáveis, afinal, são bíblicos. Mas a aplicação pontual de cada um deles segue sendo um evento cultural. Nossa maneira de anunciar e viver efetivamente cada uma das afirmações do Sola Gratia, Sola Fide, Solo Christus, Sola Scriptura e Soli Deo Gloria estão limitadas e cerceadas pela nossa época e pelos desafios que cada um de nós enfrentamos.

O drama do século XVI culminou em separação. O nosso talvez esteja mais voltado para uma necessidade de unificação entre os próprios protestantes ou, segundo Guilherme de Carvalho, o resgate da catolicidade. Na realidade dos reformadores a salvação era “coisa de rico”, pois tinha que se pagar alto por ela. Em nosso contexto ela se tornou em “coisa de pobre”, pois o ser pobre se estabeleceu como uma categoria moral caracterizada pelo eterno vitimismo. Uma das lutas deles era para que os crentes tivessem acesso a mais informação e ensino sobre os assuntos de fé, a nossa é a de arrancar as ervas daninhas dentre o excesso de informação e ensino ruim ou inútil.

Não tenho como propor receitas prontas para a nossa Reforma. Apenas posso estimulá-lo. O conselho na verdade é paulino: discernir o tempo porque os dias são maus. Se passaram 498 anos e a realidade mudou pouco. As necessidades da alma humana continuam sendo as mesmas – apesar de crerem que não – e a resposta bíblica também continua sendo a mesma.

O que sei é que a Reforma foi um marco. Um momento de revolução paradigmática. Sei ainda que nosso tempo geme por pessoas que se levantem para transformar o presente, planejar o futuro e olhar com seriedade para o passado. Esse alguém sou eu. É você. Somos nós. Lutero foi reconhecido por sua devoção e seriedade no estudo da Escritura. O mesmo se diz de Calvino. Zwínglio? Idem. Knox também é retratado como tal. Não há receita pronta, mas existe um ingrediente infalível: TODA REFORMA, TODO AVIVAMENTO, TODA RECONSTRUÇÃO DE PARADIGMA, TODA TRANSFORMAÇÃO SOCIOCULTURAL vem dos céus.

Que antes de tudo, comecemos a oração do profeta: “Aviva, ó Senhor, a TUA obra”.

Abraço reformado.

Continue reformando-se.

Vamos reformar juntos.



Pr. Maicon

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Na paz do Eterno.

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