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O Sermão da Montanha: Apologia à Alegria

10:40Maicon Custódio


Quem cresceu no seio cristão já ouviu (se não, deveria) a frase "bem-aventurado", registrada nos relatos de Mateus (Caps. 5, 6 e 7) e Lucas (6.17-49). Aliás, nesses dois milênios de Cristianismo o que nós mais fizemos foi ouvir e aprender. Parte importante do ministério de Jesus foi ensinar; a pregação do evangelho está totalmente ligada com o ensino e a verdadeira vida cristã consiste numa postura intelectiva diante de conteúdos e conceitos. De fato, ouvimos muito. Do que mais precisamos então? Simples, de praticar.

Está ai a importância de estudarmos o que Jesus ensinou no chamado Sermão do Monte: são os fundamentos de uma religião autêntica, que visa marcar com cinzel no coração o que recebemos ao ouvir as Escrituras; o que está no coração se mostra na prática da justiça que excede a "justiça" farisaica, aquela que pretende mostrar ser, mas não é. O  Sermão do Monte é uma chamada a plena felicidade que só existe quando vivemos em santidade, quando se pratica as virtudes cristãs pautado nos interesses mais profundos e puros da alma. "bem-aventurado [ou seja, feliz] é o povo cujo Deus é o Senhor" Sl 144:15

Quem já leu as passagens de Mateus e Lucas percebeu que a forma como cada evangelista registra o Sermão é bem diferente, acontecimentos são registrados em ordens diversas, um ensinamento é exibido por um, enquanto em outro é omitido; enfim, podemos afirmar que, tanto em Lucas como em Mateus, Jesus visava ensinar sobre uma vida que os ouvintes deveriam abraçar, primeiro os discípulos, depois a multidão (Lc. 6-17).

Vamos imaginar o cenário. Jesus é o mestre, Ele utilizava um método que outros professores também utilizavam, procurava um lugar aberto e se assentava no chão, ou caminhava com seus alunos. Porém, Jesus era visto como um mestre que excedia aos demais, Ele mostrava autoridade, não uma autoridade imposta, legalista, mas ensinava com amor e mansidão.

Não nos enganemos, o que Jesus ensinou (e ensina) não era (ou é) coisa fácil de se praticar, por isto as pessoas que o ouviam se admiraram (Mt 7.28-29), pois Ele sim, cumpria todas as exigências de Seu ensino, uma por uma, com Ele era "faça o que eu faço"; e é por meio Dele que aqueles que Ele chama (assim como chamou os 12 antes de ir à montanha) podem agora serem chamados de justificados, diante de exigências impossíveis de serem cumpridas por nós pecadores, mas necessárias para uma vida plena e eterna.


O CAMINHO DA ALEGRIA  
A Felicidade é um tema discutido na história do pensamento desde os gregos; o que é ela, como alcançá-la e por que tê-la, foram, e, são questões fundamentais para os Filósofos. Os gregos diziam que se cada um andasse conforme a sua natureza, ou seja, conforme a aptidão de sua alma e assim se aproximar das virtudes, a cidade seria "feliz" e por sua vez, seus cidadãos. Kant dizia que se a razão predominasse sobre as paixões e inclinações viveríamos bem neste mundo; o utilitarismo do século XIX dizia que a "felicidade" girava em torno de aumentar o prazer e diminuir a dor. São diversas as teorias, podemos então concluir como João Calvino "...é absolutamente verdade que paz interior é algo que todos nós desejamos."[1].

A expressão "Bem-Aventurado" proferida diversas vezes por Jesus no Sermão do Monte, que dizer Feliz, porém, o sentido que Jesus emprega é de algo maior que um estado emocional; Jesus quer ensinar que Feliz é aquele que desfruta do favor e da aprovação de Deus. Isto consiste em: em imitar a Cristo (Mt 5.48, 1Co 11.1; Ef 5.1), não ser hipócrita vivendo de uma religião teatral de observância externa e, o mais importante, participar do sofrimento de Jesus.

As primeiras duas bem-aventuranças (os humildes de espírito e os que choram) darão suporte a todas as outras, são eles os Quebrantados. João Calvino diz que, o sentido da expressão pobre ou humilde de espírito seria aquele que sofreu humilhação e perda, aquele que se bastava em si mesmo, pelo que era ou pelo que tinha, agora está dependente, nu e envergonhado. Não uma pobreza penitente ou um estado de humilhação necessário para a aprovação de Deus, mas uma aflição permitida pelo próprio Deus, e uma vez que somos esmagados pelo almofariz de Deus, nossa arrogância e prepotência desaparecem.  E já que a emoção faz parte de nossa natureza, não ficamos imunes a dor, choramos. "O caminho da felicidade é o caminho da cruz." E só quem está totalmente dependente do favor de Deus é capaz de ser manso, justo, puro e pacificador.

Por mais que as Bem-Aventuranças declarem bênçãos futuras (a promessa do Reino de Deus), somos, em menor medida, abençoados aqui em nossa peregrinação. Se buscarmos, de todo nosso coração, alcançar este padrão de perfeição exigido no Sermão do Monte e encontrado em Jesus, todas as coisas necessárias serão acrescentadas (Mt 6.33), Em Rm 8.28 diz, "e sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus..." e em Jr 7.23 diz "Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem."  

A vida fora dos comerciais é repleta de aflições de todos os tipos e por mais que não tenhamos um sorriso no rosto, somos Felizes, pois nossa fé espera a felicidade suprema na presença de Deus, garantida por Jesus Cristo na cruz do Calvário, que foi o maior exemplo de pobreza, humilhação de espírito e choro.

Kelvin Martins





[1] CALVINO,João 1509-1564. Beatitudes: Sermões sobre as bem aventuranças. Tradução de Júlio Zabatiero. São Paulo: Fonte Editorial, 2008.  pg 35

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