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21 Considerações Sobre Pregação

13:28Maicon Custódio


por Jared C. Wilson


Aqui estão, não em ordem específica, algumas reflexões e pequenos conselhos sobre a nobre tarefa de pregar a Palavra de Deus.


1. Ouvi uma frase que é atribuída a Tim Keller que diz que você precisa pregar pelo menos uns 200 sermões até ficar bom (ou alguma coisa parecida). Eu acredito que isto geralmente seja verdade. Para aqueles que possuem um dom natural de pregar leva um tempo para acertar a passada e se tornar realmente bom e, mesmo assim, continuam crescendo e refinando. Para aqueles que não tem este dom eu creio que mesmo depois de alcançar a marca dos 200 sermões, não apresentarão crescimento perceptível. Alguém não é dotado para pregar quando faz isso por muito tempo e não apresenta real desenvolvimento. Nestes casos o sermão nº 201 provavelmente não tem melhora visível em relação ou sermão nº 1.

2. Pessoalmente gosto de usar o manuscrito, mas entendo que não é algo para todo mundo. Se você não consegue pregar usando um manuscrito sem parecer que está lendo o sermão, acredite, usar o manuscrito provavelmente não é para você. 

3. Quando comecei a pregar eu utilizava esboço (2 ou 3 páginas). Esperava que de acordo com a experiência e confiança no púlpito eu iria usar cada vez menos material. Porém, o oposto se mostrou verdadeiro. Quanto mais eu prego, menos eu acredito que consigo pregar sem ter um esboço como trilho. (em média 10 a 12 páginas).

4. Eu não acredito que mensagens muito curtas geralmente sejam boas, mas não existe nada pior do que um sermão longo demais. Não tente falar tudo. Faça jus ao texto, proclame o evangelho e não pense que você precisa tornar seu sermão uma longa palestra de conferência. Para a maioria dos pregadores 30 a 40 minutos é uma boa duração, mas repito, um sermão ruim também pode não ser curto.

5. Eu acredito que a preparação devocional deve levar o mesmo tempo da preparação exegética. Não adianta gastar tempo demais no sermão e tempo de menos na comunhão com Deus.

6. Pensando missionalmente, eu acho que há alguma verdade na admoestação “pregue a quem você deseja”. Mas não é sem razão que Pedro diz “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós” (1Pe 5.2). Pregar visando a congregação que você ambiciona ter é, muitas vezes, o caminho mais rápido para perder a congregação que Deus, em sua sabedoria, concedeu a você.

7. Trabalhe no texto sozinho primeiro, só depois recorra aos comentários. É melhor pegar emprestado do que roubar.

8. Eu acho que sermões tópicos são bons, conquanto que sejam pregados expositivamente ;-)

9. Se Cristo é tão glorioso quanto Ele diz ser, faça-o ser o ponto central do sermão – não importa o texto – faz muito mais sentido.

10. Pregue o texto bíblico. A única razão para não fazer isso é no caso de você achar que suas ideias são melhores que as de Deus.

11. Uma dieta constante de sermões “como fazer” não torna o Cristianismo mais acessível ou relevante às pessoas. Na verdade, com o tempo, faz com que se sintam sobrecarregadas e em constante provação espiritual.

12. Algumas pessoas levam toda a fé que tem para dentro das portas da igreja a cada domingo. Por que queremos oferecer a elas qualquer coisa a menos do que as boas novas e o conforto de Cristo?

13. Se a Bíblia está correta ao dizer que o Evangelho é o poder para a salvação – e ela está – e se a Bíblia está correta ao dizer que somente através da contemplação da glória de Cristo no Evangelho é que as pessoas são transformadas – e ela está – não faz qualquer sentido nós marginalizarmos o evangelho ou guarda-lo somente para ocasiões especiais.

14. Pregar expositivamente tendo toda a unidade da Bíblia em mente é a melhor forma de ter certeza de que você está dando a correta ênfase à Lei e ao Evangelho nas devidas proporções com que são abordados na Bíblia.

15. Obviamente, se você é um pregador fiel da Palavra de Deus, não importa se você está pregando em cima de um palco musical, um púlpito, uma mesa, ou sem nada disso. Eu, pessoalmente, prefiro o bom e velho púlpito de madeira, porque gosto da imagem de que a Palavra é sólida, grande, firme, uma âncora em meio ao mar tempestuoso da vida. Um púlpito sólido transmite esteticamente a autoridade e firmeza da Palavra de Deus. Novamente, não há razão dogmática sobre algo tão pessoal, mas não seria bom que pensássemos sobre o que o nosso ambiente de pregação comunica? É sua real intenção comunicar um encontro irreverente e casual com o Deus Vivo?

16. O sermão pode servir como um curso intensivo para corrigir um cenário de desobediência generalizada na igreja e um estímulo ao arrependimento. Mas, por favor, não use seus sermões para mandar recados ou resolver problemas pessoais na igreja. Não torne seus sermões em textão de Facebook.

17. Eu aprendi muito cedo que o discurso homilético direcionado a grupos específicos – rapazes que precisam crescer ou algo do tipo – tendiam a ser ignorados por aqueles que mais precisavam ouvir e machucar os corações e almas sensíveis de quem, não necessariamente, precisava ouvir aquilo. Quando eu gritava ao estilo Mark Driscoll com os rapazes, eu via que aqueles que estavam na minha mira não entendiam que a mensagem se aplicava a eles e que eu estava pisoteando homens que já estavam lutando para melhorar. Isto é pregação imatura. Há formas melhores.

18. Você não pode fazer todo mundo feliz. Este não é, nem nunca foi o objetivo da pregação. Não pregue como se fosse um empregado da igreja. Pregue como um servo de Deus, que responde em primeiro lugar e acima de tudo a Ele. 

19. De preferência, ilustrações pessoais devem ser usadas para confissão ou auto depreciação. Usar a si mesmo sempre como um bom exemplo é uma forma fantástica de pregar a si mesmo ao invés do Cristo crucificado.

20. Um pregador simples que tem a oportunidade de olhar o rebanho nos olhos é mais efetivo do que um grande pregador que se vê todo dia em um vídeo. 

21. Paixão, irmão, paixão! Nos dê sua teologia, com certeza. Não nos prive do texto. Não ache que gritaria é pregação. Não é isso que eu estou dizendo. Nos entregue sua retórica e sua lógica, mas faça isso com afeto. “Pregação”, como disse Lloyd-Jones “é teologia vindo através de um homem em chamas”. (e volte ao nº5 outra vez).


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É Diretor de Conteúdo do Midwestern Seminary, editor-chefe da For The Church e autor de mais de dez livros.
Tradução: Maicon Custódio

Artigo Original: 21 Thoughts on Preaching

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